PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 68 da UFPR 2023

1ª fase

[As] experiências comuns resultantes do lugar social que ocupam impedem que a população negra acesse certos espaços. [...] Quando falamos de direito à existência digna, à voz, estamos falando de locus [lugar] social, de como este lugar imposto dificulta a possibilidade de transcendência. Absolutamente não tem a ver com uma visão essencialista de que somente o negro pode falar de racismo, por exemplo.

(RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Editora Letramento, 2017. p. 64.)

De acordo com a passagem acima e com a obra de que foi retirada, locus social é o lugar:

  1. A
    escolhido voluntariamente por um determinado grupo social como seu lugar de fala.
  2. B
    que define quem tem o direito de falar sobre determinados assuntos.
  3. C
    que determina a essência de cada grupo social.
  4. D
    em que se abrem ou se restringem oportunidades a determinados grupos sociais.
  5. E
    que assegura a todo grupo social uma existência digna.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

Djamila Ribeiro, em O que é lugar de fala?, usa a noção de locus social para falar da posição que um grupo ocupa nas relações de poder da sociedade. Essa posição é imposta, não escolhida, e gera experiências comuns a quem está nela.

O trecho diz que essas experiências "impedem que a população negra acesse certos espaços" e que o lugar imposto "dificulta a possibilidade de transcendência". Ou seja, o locus social é o lugar que abre ou restringe oportunidades, como o acesso a espaços, à voz e a uma existência digna.

A autora também afasta a leitura essencialista: não é que "somente o negro pode falar de racismo". Lugar de fala não é uma regra de quem pode ou não falar, nem uma essência do grupo. É uma condição social que condiciona o acesso.

Assim:

  1. Não é um lugar escolhido, pois é "imposto" (descarta A).
  2. Não define quem tem direito de falar, pois isso seria a visão rejeitada no texto (descarta B).
  3. Não determina essência, pois a autora nega o essencialismo (descarta C).
  4. Não assegura existência digna, pois o texto trata justamente da dificuldade de alcançá-la (descarta E).

Sobra a alternativa que descreve o locus como o espaço em que oportunidades se abrem ou se restringem conforme o grupo.

Alternativa D.

Pegadinha: A alternativa B engana por parecer a leitura comum de "lugar de fala" (quem pode falar), mas o texto nega essa visão essencialista.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ADiz que o lugar é escolhido voluntariamente, mas o texto fala em lugar "imposto".
  • BTransforma lugar de fala em autorização de quem pode falar, o que a autora rejeita.
  • CAtribui uma essência ao grupo, visão essencialista que o texto nega.
  • EAfirma que o lugar garante existência digna, quando ele dificulta o acesso a ela.

Assuntos: lugar de fala, racismo estrutural, interpretação de texto.

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Fonte: UFPR 2023 · 1ª fase. Prova oficial ↗