Questão 43 da UFPR 2014
O texto a seguir é referência para as questões 41 a 44. · 1ª fase
Brazuca é um nome triste, mas não por ser com ‘z’
A escolha do nome da bola que a Adidas lançará para a Copa do Mundo de 2014 foi feita por votação na internet a partir de uma lista tríplice. Com 77.8% das preferências, Brazuca derrotou Bossa Nova e Carnavalesca. Como quase todos os analistas da língua que estão de plantão esta semana, lamentei a notícia (considerava Bossa Nova o menos ruim de três nomes fracos), mas por motivos diversos. Não é a grafia com z que me incomoda, mas a palavra em si. Convém explicar. Sim, é verdade que todos os dicionários e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras, registram apenas brasuca, com s. Afinal, a palavra não é derivada de Brasil, brasileiro? Eis toda a base para a argumentação dos que implicaram com a grafia. Uma argumentação que deixa de levar em conta dois fatos singelos.
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A forma brazuca é muito mais usada na vida real. Uma pesquisa no Google traz mais de 4 milhões de páginas, contra pouco mais de um décimo disso para brasuca. Pode-se defender a tese de que a preferência popular não é suficiente para alterar a grafia de um termo vernáculo, mas atenção: estamos falando de palavra informal, brincalhona, recente. Brazuca é uma gíria, e as gírias, como todas as criações populares, têm a mania de escolher como serão conhecidas.
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Ainda que não fosse assim, o batismo da bola da Copa do Mundo é um ato de branding, ramo do marketing que tem regras próprias, entre elas a de privilegiar formas gráficas fortes – e nesse mundo a letra z goza de grande prestígio. Naturalmente, a correspondência com a grafia “Brazil” numa marca destinada a ter circulação internacional também deve ter sido considerada um trunfo por seus criadores.
Se não é a grafia, o que sobra para criticar em Brazuca, a bola? Sua carga cultural idiota, só isso. O fato de que, brazuca ou brasuca, a palavra é um sinônimo tolo de brasileiro. O termo nasceu em Portugal com tom depreciativo (o sufixo “-uca”, o mesmo de mixuruca, deixa isso claro), numa espécie de contraponto ao nosso “portuga”. Até aí, tudo bem: a própria palavra brasileiro tinha uso pejorativo antes de ser assumida em espírito de desafio pelos nativos desta terra.
O problema é que, ao ser adotado por aqui, brazuca/brasuca virou um clichê patriótico viscoso, folclórico e carregado de autocomplacência, primo da malemolência, da ginga e da incrível musicalidade de muitos inzoneiros* que habita este gigante adormecido. É por isso que Brazuca é bola fora – e Brasuca não seria melhor.
(Sérgio Rodrigues, 04/09/2012, http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/curiosidades-etimologicas.)
*Inzoneiro: Adj. Bras. Pop. 1. Mexeriqueiro, intrigante, mentiroso. 2. Sonso, manhoso. (Dicionário Aurélio)
Numere os parênteses, estabelecendo a ordem em que os argumentos aparecem no texto.
( ) Apresentação de conotações possíveis para o nome brazuca.
( ) Razões relacionadas à grafia que devem ser levadas em conta na avaliação.
( ) Crítica às representações culturais que emanam do nome escolhido.
( ) Ponderações sobre a escolha do nome da bola: críticas dos analistas, a posição normativa.
( ) Razões relacionadas a estratégias de mercado que foram consideradas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
- A3 – 1 – 5 – 2 – 4.
- B4 – 3 – 1 – 2 – 5.
- C3 – 2 – 4 – 1 – 5.
- D2 – 5 – 4 – 1 – 3.
- E4 – 2 – 5 – 1 – 3.
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Fonte: UFPR 2014 · 1ª fase. Prova oficial ↗