PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 2 da UFPR 2011

1ª fase · Português: Tema, ideia central e informações explícitas

O texto a seguir é referência para as questões 01 e 02. · 1ª fase

O Brasil sempre despertou a curiosidade do mundo. Seja por seu exotismo natural, seja pelas suas dimensões continentais ou pelo caldeirão cultural formado por uma das sociedades mais miscigenadas do planeta. Nos últimos anos, no entanto, o interesse internacional pelas coisas brasileiras andava um tanto quanto arrefecido, principalmente pelo fato de a agenda geopolítica mundial estar voltada para o Oriente Médio. Mas agora, com a ascensão do País a um papel de protagonista, ainda que emergente, no cenário mundial, acadêmicos de todo o mundo, em especial os americanos, começam a voltar seus olhos novamente para o Brasil. Só nos Estados Unidos estima-se que quase mil pesquisadores em diversas universidades estejam dedicados exclusivamente a estudar assuntos tão diversos quanto a poluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, ou a história do Plano Real. Ao mesmo tempo, cerca de dez mil estudantes universitários estão matriculados em cursos para aprender português. “Há um interesse crescente pelo Brasil, por várias razões, desde as econômicas até o fato de termos mais brasileiros vivendo nos Estados Unidos”, diz o professor de História do Brasil da universidade americana de Brown, James Green, integrante da Associação Norte-Americana de Estudos Brasileiros, que conta com cerca de 1,2 mil sócios.

A história desse interesse acadêmico pelo Brasil não é nova. Desde os anos 50, quando o Brasil iniciou um rápido processo de industrialização, pesquisadores estrangeiros passaram a colocar o País em suas pautas. Esse movimento cresceu nos anos 60 e 70 com a intensificação da Guerra Fria. Nessa época, o governo dos Estados Unidos começou a financiar estudantes interessados em estudar o Brasil, um país com informações sobre seu tecido social tão escassas quanto a Cuba tomada por Fidel e Che Guevara. Mas, desde o fim da década de 90, tanto o Brasil quanto a América Latina deixaram de atrair a atenção internacional, monopolizada pelo déjà vu: a batalha entre Ocidente e Oriente encarnada nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

“O desempenho econômico do Brasil durante a crise e as conquistas sociais do País voltaram a despertar o interesse acadêmico”, diz Joseph Love, diretor do Instituto Lemann, voltado exclusivamente para financiar estudantes brasileiros ou americanos interessados no Brasil. Love, como outros brasilianistas, está percebendo uma mudança importante no perfil dos pesquisadores de agora em relação aos de décadas passadas. “Antes o interesse era quase exclusivamente antropológico. Questões como raça e gênero sempre cativaram os pesquisadores. Agora o que vemos é uma curiosidade crescente por temas relacionados à economia, experiências no sentido de diminuir o abismo social e questões ambientais”, diz ele.

(ISTOÉ, 03 set 2010.)

O autor usa no segundo parágrafo a expressão francesa “déjà vu” (já visto), empregada usualmente para indicar que uma situação parece conhecida, devido à semelhança com outra vivida anteriormente. Essa expressão é usada para destacar a semelhança entre:

  1. A
    o processo de industrialização no Brasil e nos Estados Unidos.
  2. B
    a atuação dos grupos de esquerda no Brasil nos anos 1960 e 1970 e os líderes da revolução cubana.
  3. C
    o desenvolvimento econômico e industrial do Brasil na década de 1950 e no início do século 21.
  4. D
    as guerras do Iraque e Afeganistão e a Guerra Fria nas décadas de 1960 e 1970.
  5. E
    o interesse de pesquisadores americanos pelo Brasil e pelo Oriente Médio.
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Resolução comentada

Déjà vu indica que algo atual parece repetir algo vivido antes. Então é preciso achar, no trecho em que a expressão aparece, qual situação presente é comparada a uma anterior.

O segundo parágrafo diz que o interesse acadêmico cresceu nos anos 60 e 70 "com a intensificação da Guerra Fria". Depois afirma que, desde o fim dos anos 90, o Brasil e a América Latina perderam a atenção internacional, "monopolizada pelo déjà vu: a batalha entre Ocidente e Oriente encarnada nas guerras do Iraque e do Afeganistão".

Ou seja:

  1. Situação anterior: a Guerra Fria, com o confronto entre dois blocos (Ocidente e Oriente, Estados Unidos e União Soviética).
  2. Situação atual: as guerras do Iraque e do Afeganistão, de novo uma "batalha entre Ocidente e Oriente".
  3. A semelhança entre os dois confrontos é o que o autor chama de "já visto".

As demais opções tratam de assuntos que o texto cita, mas não liga pela expressão: industrialização, Cuba e o interesse dos pesquisadores. Nenhuma delas está na frase do déjà vu.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto não compara a industrialização do Brasil com a dos Estados Unidos.
  • BCuba é citada só como exemplo de país pouco conhecido, não como paralelo com grupos de esquerda.
  • CA industrialização dos anos 50 e o crescimento recente aparecem em outro contexto, sem relação com o déjà vu.
  • EO interesse dos pesquisadores pelo Brasil e pelo Oriente Médio não é comparado; o Oriente Médio é a causa da perda de atenção ao Brasil.

Assunto: Tema, ideia central e informações explícitas.

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Ver como caiu na prova Questão 2 no caderno 1ª fase da UFPR 2011

Fonte: UFPR 2011 · 1ª fase. Prova oficial ↗