PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 47 da UFPR 2007

1ª fase · Português: Inferência e implícitos (pressupostos e subentendidos)

O texto a seguir é referência para as questões 46 a 48. · 1ª fase

Causas da infidelidade partidária no Brasil

A infidelidade partidária é uma peculiaridade da política brasileira. Não é raro observar parlamentares migrarem de uma legenda para outra durante o mandato. Entre 1985 e 1998, por exemplo, cerca de 30% dos deputados federais mudaram de sigla ao longo da legislatura. O fenômeno, pouco comum em qualquer democracia, é recente no Brasil. No intervalo entre 1946 e 1964, não houve muitos casos de mudança de partido.

Identificar os motivos da infidelidade partidária foi o objetivo da tese de doutorado de Carlos Ranulfo Félix de Melo, cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa, realizada sobretudo junto à Câmara dos Deputados, contou também com outras fontes, como artigos da imprensa. Ranulfo limitou o estudo ao período da democracia recente (entre 1985 e 1998) e constatou duas causas principais para a inconstância dos parlamentares.

Em primeiro lugar, o cientista verificou que a maioria das trocas de legenda tem por trás a busca de maior expressão. "O chamado 'baixo clero' procede desse modo para ampliar seu poder no estado de origem, adquirir cargos e recursos ou simplesmente prolongar a carreira, pois no Brasil, a renovação da câmara chega a ser de 40%, contra uma média de 5% dos Estados Unidos". Em segundo lugar, a infidelidade interessa aos líderes dos partidos, pois permite que aumentem suas bancadas e, portanto, seu poder. "A tendência é que o partido em voga cresça", constata Ranulfo. O PSDB, por exemplo, começou o ano de 1994 com 62 deputados federais e terminou 1998 com 96.

Ranulfo identifica ainda um outro tipo de político que costuma flutuar entre os partidos: os chamados 'caciques'. Nem sempre se pode ligar uma única legenda a nomes como Jânio Quadros, Itamar Franco, Fernando Collor ou César Maia. Segundo o cientista, o fenômeno é típico da política brasileira, que personaliza a figura do 'salvador da pátria' em detrimento da linha do partido.

A infidelidade partidária é vista por Ranulfo como prejudicial para o processo democrático. A troca de legenda reflete uma alteração no comportamento do eleito: um político com perfil de 'esquerdista' que se transfere para uma agremiação de 'direita' desgasta a significação do partido e enfraquece a representação política.

Para Ranulfo, uma solução possível para o fim da infidelidade partidária poderia ser o uso de mecanismos como o sistema de listas, praticado na Europa. "Mas a alternativa mais simples seria a adoção de uma nova legislação", avalia. A lei poderia, por exemplo, obrigar o deputado a permanecer na mesma legenda até o fim do mandato. Já existe um projeto de lei para combater a infidelidade partidária, que está em trâmite há algum tempo e nunca foi votado. "Evidentemente, por trás disso, há um interesse dos próprios deputados".

(FERREIRA, Pablo Pires. Ciência Hoje, mar. 2001.)

Pode-se inferir, a partir das informações do texto, que a motivação para o crescimento da bancada do PSDB no período de 1994 a 1998 foi:

  1. A
    A ausência de “caciques” no partido.
  2. B
    O enfraquecimento da oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
  3. C
    A mudança na legislação eleitoral.
  4. D
    A mobilização dos líderes do partido governista para aumentar sua bancada.
  5. E
    A dificuldade de sobrevivência dos partidos pequenos.
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Resolução comentada

O texto apresenta duas causas principais da infidelidade partidária. A primeira é a busca de maior expressão pelo "baixo clero". A segunda é o interesse dos líderes partidários: a troca de legenda "permite que aumentem suas bancadas e, portanto, seu poder". Logo em seguida vem a frase "A tendência é que o partido em voga cresça" e o exemplo do PSDB, que foi de 62 deputados em 1994 para 96 em 1998.

O exemplo serve justamente para ilustrar a segunda causa. O PSDB era o partido do presidente (governista) e estava em voga, então atraía parlamentares, e seus líderes tinham interesse em ampliar a bancada.

Conferindo as demais:

  1. O texto não diz que o PSDB não tinha caciques, e isso não explicaria o crescimento.
  2. O enfraquecimento da oposição não é mencionado.
  3. O texto diz que a lei contra a infidelidade nunca foi votada, então não houve mudança na legislação.
  4. A dificuldade de sobrevivência dos partidos pequenos não aparece no texto.

A única alternativa que se apoia no texto é a que liga o crescimento da bancada ao interesse dos líderes do partido.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto não trata da ausência de caciques no PSDB, e ela não explicaria o crescimento da bancada.
  • BO enfraquecimento da oposição não é citado no texto; é uma suposição externa.
  • CO texto afirma que o projeto de lei contra a infidelidade nunca foi votado, então não houve mudança na legislação.
  • EA dificuldade dos partidos pequenos não é mencionada; o texto fala em busca de poder, não de sobrevivência.

Assunto: Inferência e implícitos (pressupostos e subentendidos).

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Ver como caiu na prova Questão 47 no caderno 1ª fase da UFPR 2007

Fonte: UFPR 2007 · 1ª fase. Prova oficial ↗