PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 49 (1º exame) da UERJ 2027

Nos anos 1930, uma figura chamava a atenção em jornais brasileiros no período natalino: o Vovô Índio, que foi alvo de grandes esforços para se popularizar e destronar o Papai Noel nos corações das crianças ávidas por brinquedos.
“Vovô Índio e as crianças” foi manchete do jornal O Globo em 24 de dezembro de 1932, com o registro de que o personagem havia sido responsável pela entrega de presentes em uma escola municipal carioca. O mesmo jornal, em 28 de novembro, havia publicado um verdadeiro manifesto em defesa do Vovô Índio – sob o título “Vamos fazer um Natal brasileiro?” – e, em 20 de dezembro, uma declaração de guerra ao bom velhinho – “Pela deposição de Papai Noel” era o título do texto.
Adaptado de g1.globo.com, 24/12/2025.
Com base no texto, a criação do personagem e o esforço empreendido para difundi-lo constituem uma tentativa de mudança que visa à:
- Arecuperação da burguesia local diante de crises educacionais
- Bvalorização da autenticidade folclórica diante de elites letradas
- Creconfiguração da identidade nacional diante de símbolos estrangeiros
- Dapropriação da cultura cosmopolita diante de provincianismos primitivos
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Resolução comentada
O texto conta que, nos anos 1930, jornais brasileiros tentaram "destronar" o Papai Noel com o Vovô Índio. Os títulos dizem tudo: "Vamos fazer um Natal brasileiro?" e "Pela deposição de Papai Noel".
O raciocínio tem três passos:
- Papai Noel é um símbolo importado, de origem europeia e norte-americana, ou seja, estrangeiro.
- O Vovô Índio é uma figura criada para ocupar o mesmo lugar, mas com elementos tidos como nacionais: o indígena, a floresta e os animais, como mostra a capa do livro.
- Substituir um símbolo estrangeiro por um "brasileiro" é tentar redefinir a identidade nacional. Isso combina com o nacionalismo da Era Vargas, que buscava construir uma cultura nacional e valorizar o indígena como emblema do país.
Testando as alternativas: o texto não fala de crise educacional nem de burguesia (A). Também não opõe folclore a elites letradas (B). E a proposta vai contra a cultura cosmopolita, pois rejeita o símbolo externo (D).
A mudança visa, portanto, reconfigurar a identidade nacional diante de símbolos estrangeiros.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto não trata de burguesia nem de crise educacional; a escola aparece só como local da entrega de presentes.
- BNão há oposição entre folclore autêntico e elites letradas; o conflito é entre símbolo nacional e estrangeiro.
- DInverte o sentido: a campanha rejeita o símbolo estrangeiro em vez de adotar a cultura cosmopolita, e chama o nacional de primitivo.
Assunto: Memória, patrimônio e identidade nacional.
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Fonte: UERJ 2027 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗