Questão 12 (2º exame) da UERJ 2027
Por conta de interpretações elitistas, pelas famigeradas apostilas e resumos de obras para o vestibular, e porque poucos leram O cortiço, de Aluísio Azevedo, o romance passa impune como clássico, mas presta enorme desserviço ao favelado brasileiro. A obra foi lançada exatamente dois anos depois da Abolição da Escravatura, em 13 de maio de 1890. Ao contrário do chavão de que denuncia as condições de vida nos cortiços do Rio de Janeiro, embriões de favelas, o livro reforça ideias distorcidas, como a sensualidade inebriante e descontrolada da mulher negra (...).
MARCOS ZIBORDI
Adaptado de terra.com.br, 13/05/2025.
Em seu texto, o professor Marcos Zibordi defende que O cortiço é um romance racista. Entretanto, há passagens na narrativa que também podem ser lidas como uma denúncia do racismo, por parte da ficção.
O narrador explicita uma denúncia ao racismo em:
- ASentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. (cap. III)
- BEla ia retirar-se, como um animal enxotado, quando deu com a Rita, que entrava muito ligeira e sacudida, trazendo na mão a fumegante pangana de café com parati e no ombro um cobertor grosso para dar um suadouro ao doente. (cap. VIII)
- CAquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães; (cap. X)
- DNa sua obscura condição de animal de trabalho, já não era amor o que a mísera desejava, era somente confiança no amparo da sua velhice quando de todo lhe faltassem as forças para ganhar a vida. (cap. XIX)
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Fonte: UERJ 2027 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗