Questão 54 (1º exame) da UERJ 2024
Há quem desdenhe das imagens e das representações visuais. Há quem alegue que elas não passam de “ilustrações” que simplesmente decoram e alegram os ambientes, os jornais, as paredes das casas e dos museus – seriam inocentes. Da minha parte, sou dessas pessoas que vivem tomadas pela potência das imagens e pelo poder que elas têm de revelar e criar valores, ideias, concepções de mundo. Por isso, não raro, viram elas mesmas a própria realidade.
É esse o poder reflexivo das imagens e das obras visuais, pois ao reproduzir um contexto elas acabam, ao fim e ao cabo, por criá-lo. Transformam-se em parte constitutiva da imaginação. Muitas vezes lembramos, ou achamos que lembramos, de um evento a partir e por causa de uma imagem guardada num canto da memória.
É possível dizer que nossa imaginação histórica é feita a partir de imaginários alheios; das construções visuais feitas por outras pessoas com seus interesses, contextos e especificidades.
LILIA SCHWARCZ
Adaptado de nexojornal.com.br, 22/11/2021.
Uma imagem que exemplifica a capacidade de construção da imaginação histórica, conforme enfatizado pela autora, é:
- A

“Vista da Cidade Maurícia” [atual Recife], Franz Post, 1647.
- B

“Proclamação da República”, Benedito Calixto, 1893.
- C

“Ponte de Santa Efigênia”, [atual centro de São Paulo], Jean-Baptiste Debret, 1827.
- D

“Os operários”, Tarsila do Amaral, 1933.
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Fonte: UERJ 2024 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗