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Questão 47 (1º exame) da UERJ 2024
NÃO DEIXEM ACABAR COM OS I

brasil.elpais.com, 12/07/2020
Ianomâmi. Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome. Pois saiba que é o nome genérico de cerca de 8400 brasileiros, gente boa que vive em 203 cabanas, no interior da floresta tropical, bem na fronteira com a Venezuela. Formam 14% da população de Roraima e encontram-se ainda no Amazonas.
Os ianomâmis correm no momento um grande risco e estão precisando de você. Cabe a você interessar-se pelo projeto de um grupo de antropólogos, juristas, médicos e jornalistas, que visa a proteger a vida pacífica dos ianomâmis, nos locais que habitam, e dentro do tipo de cultura que é tradicionalmente o deles. Esse projeto, ou anteprojeto, propõe a criação do Parque Indígena Ianomâmi.
Essa é a única maneira de salvar a comunidade social e cultural desses homens, mulheres e crianças que desde 1974 vêm sofrendo as consequências do processo de expansão econômica da Amazônia em sua parte negativa, sem se beneficiar com suas possíveis vantagens. A abertura da Perimetral Norte, BR-210, levou àquela região gripe, sarampo, tuberculose, moléstias de pele e doenças venéreas. O garimpo irrompeu como outra modalidade da doença. Em 1978, é a Cia. Vale do Rio Doce que se apresta para extrair a cassiterita, antes explorada ilegalmente pelos garimpeiros. E a Perimetral Norte vai prosseguir, fornecendo espaço à colonização. Topógrafos percorrem o território ianomâmi, demarcando lotes em terras insofismavelmente pertencentes aos índios.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Adaptado de Caderno Ilustrado, Folha de S. Paulo, 02/08/1979.
Em seu artigo de 1979, o escritor Carlos Drummond de Andrade situa circunstâncias do projeto de criação do Parque Indígena Ianomâmi, no contexto das ações de exploração da Amazônia durante os governos militares (1964-1985).
A defesa da criação desse Parque, naquela conjuntura, tinha como objetivo tornar pública a seguinte problemática:
- Aextermínio de povos originários
- Baviltamento de riquezas naturais
- Cirracionalidade de agentes estatais
- Dlucratividade de empresas privadas
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Resolução comentada
O texto de Drummond defende a criação do Parque Indígena Ianomâmi para "salvar a comunidade social e cultural" desses povos. Ele aponta o que ameaça os ianomâmis desde 1974:
- A abertura da Perimetral Norte (BR-210) levou doenças como gripe, sarampo e tuberculose, para as quais os indígenas não tinham defesa.
- O garimpo é chamado de "outra modalidade da doença".
- A Cia. Vale do Rio Doce se prepara para extrair cassiterita.
- A estrada abre espaço à colonização, e topógrafos demarcam lotes em terras que pertencem aos índios.
O artigo começa com o apelo "Não deixem acabar com os i[anomâmis]". O texto fala em risco à vida, à cultura e ao território, e a perda dessas pessoas por doenças e invasões é a ameaça central. A defesa do Parque, portanto, buscava tornar pública a ameaça de extermínio dos povos originários, que sofriam as consequências da expansão econômica sem participar de seus benefícios.
As outras opções tratam de aspectos secundários. As riquezas naturais e o lucro das empresas aparecem apenas como causas da invasão, não como a denúncia central. A "irracionalidade" dos agentes estatais não é o argumento do texto.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BA degradação das riquezas naturais não é o foco; o texto se preocupa com as pessoas e sua cultura.
- CO texto não trata de irracionalidade de agentes estatais; é um juízo que o autor não faz.
- DO lucro das empresas, como a Vale, é pano de fundo da invasão, não o problema que o Parque busca expor.
Assuntos: Povos indígenas e comunidades tradicionais, Sociedade e meio ambiente.
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Fonte: UERJ 2024 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗