PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 1 (2º exame) da UERJ 2024
Texto-base das questões 01 a 08 · 2º Exame de Qualificação
O QUE É A VIDA?
João Miguel de Oliveira, 6 anos, carioca, fez essa complexa pergunta para a série “Perguntas de criança, respostas da ciência”. Abaixo, dois cientistas de áreas diferentes foram convidados para (tentar) responder à questão. A vida é a ordem em meio à desordem, por Hugo Aguilaniu, biólogo geneticista Na condição de geneticista que pesquisa o envelhecimento, devo dizer que a definição mais estrita de vida não é, de fato, tão simples. A primeira ideia que vem à mente é que um ser vivo deve ser capaz de se mover – seja em nível macroscópico ou apenas molecular. O movimento molecular, porém, não é específico dos seres vivos, pois basta pôr duas moléculas reativas em presença uma da outra para dar início aos fluxos químicos, aos movimentos. Mover-se é, portanto, uma condição necessária, mas não suficiente. Outra característica da vida é a capacidade de se perpetuar. Os seres vivos são, em sua maioria, mortais, mas podem perpetuar a vida por meio da reprodução, quando então o código genético com todas as informações é fielmente replicado. Não é impossível, porém, que alguns organismos se perpetuem sem se reproduzir, por meio de uma eficiente regeneração. De todo modo, é sempre necessário perpetuar e/ou reproduzir nossa informação genética. A replicação do código genético implica a capacidade de os seres vivos se manterem em ordem. Estar vivo é precisamente manter certa organização molecular dentro de si. Essa manutenção da ordem é muito cara em termos energéticos: enquanto há vida, ela não pode parar. São o metabolismo e a ingestão de moléculas que carregam certa quantidade de energia química que impulsionam esse processo. Os seres vivos, portanto, consomem energia ao seu redor para se manterem em ordem. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, sabemos que a ordem mantida nos indivíduos vivos só é possível ao preço da criação de uma desordem. E essa, por sua vez, é ainda maior que a ordem – tanto que a entropia, a desordem do universo, cresce inexoravelmente. A vida é uma obra de Gaia, por Adriana Alves, geóloga Para um geólogo, a vida envolve os processos compreendidos entre o nascimento e a morte. Entretanto, ao contrário dos biólogos, nós não nos referimos necessariamente apenas a animais, plantas e bactérias como seres vivos. Planetas, estrelas e até vulcões fazem parte desse grupo. Uma estrela, por exemplo, como o Sol, vive para queimar combustível e fornecer luz e calor no processo; um planeta vive para diminuir a temperatura de seu interior até que sua dinâmica interna se paralise. Nós, seres viventes clássicos da biologia, nos originamos da combinação quase milagrosa e acidental de carbono, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio… E foi o surgimento dos seres fotossintetizantes que nos propiciou a atmosfera rica em oxigênio da qual boa parte dos seres que conhecemos necessitam para seguir vivendo. Não fosse o pulsante dinamismo da Terra, os continentes não existiriam e o planeta ainda seria uma bola de lava. Sem essa dinâmica tampouco haveria deriva continental, nem as placas tectônicas se encontrariam. Esse “não encontro” impossibilitaria a migração dos hominídeos, que existiriam isolados em algum ponto remoto da África. Como uma mãe (Pacha Mama ou Gaia), a Terra nos fornece tudo de que precisamos para a vida biológica desde o surgimento da nossa (e de qualquer) espécie. Seja por influenciar a distribuição dos nutrientes do subsolo e a ocupação do território por caçadores coletores, seja por definir a distribuição de metais preciosos usados nos chips do computador em que ora escrevo, a vida humana e de todos os demais seres só se tornou viável por conta da dinâmica peculiar e caprichosa de Gaia.
Adaptado de cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br, 21/10/2021.
Jurassic Park – Parque dos Dinossauros é um filme de aventura e ficção científica estadunidense, lançado em 1993 e dirigido por Steven Spielberg. A ação transcorre na fictícia Ilha Nublar, onde John Hammond, um filantropo bilionário, e uma pequena equipe de geneticistas criam um parque temático no qual as principais atrações são variadas espécies de dinossauros recriados por engenharia genética.

Em Jurassic Park, a vida de espécies animais extintas no passado do planeta Terra é recriada por meio de engenharia genética.
A existência histórica dessas espécies é comprovada pelas pesquisas do seguinte campo da ciência:
- Aetologia
- Bmineralogia
- Cclimatologia
- Dpaleontologia
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Resolução comentada
A pergunta é qual ciência prova que os dinossauros realmente existiram. Para isso, vale lembrar o que cada campo estuda.
Os dinossauros viveram há milhões de anos e não deixaram registro escrito nem observação direta. O que restou deles são fósseis: ossos, dentes, ovos, pegadas e outros vestígios preservados nas rochas sedimentares.
O campo que estuda os fósseis e, com eles, a vida do passado geológico é a paleontologia. É por meio das escavações e da análise desses vestígios que os cientistas reconstroem a aparência, o modo de vida e a época de espécies extintas, como o tiranossauro rex da cena.
Conferindo as outras opções:
- Etologia estuda o comportamento de animais vivos, que podem ser observados.
- Mineralogia estuda os minerais, não os seres vivos.
- Climatologia estuda o clima e suas variações, não as espécies.
Só a paleontologia usa evidências materiais para comprovar a existência de espécies extintas.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AEtologia estuda o comportamento de animais, em geral vivos, e não comprova a existência de espécies extintas.
- BMineralogia estuda minerais, não fósseis nem seres vivos.
- CClimatologia estuda o clima e suas mudanças, não a existência histórica de espécies.
Assunto: Evidências da evolução.
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Fonte: UERJ 2024 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗