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Questão 10 da UERJ 2021

Exame de Qualificação · Linguagens

Texto-base das questões 08 a 11 · Exame Único

As questões 08 a 11 referem-se ao romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma — usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro.

O suplicante, deixando de parte os argumentos históricos que militam em favor de sua ideia, pede vênia para lembrar que a língua é a mais alta manifestação da inteligência de um povo, é a sua criação mais viva e original; e, portanto, a emancipação política do país requer como complemento e consequência a sua emancipação idiomática.

PRIMEIRA PARTE
IV – Desastrosas Consequências de um Requerimento

O teor da solicitação de Policarpo Quaresma expressa uma ironia ao deixar implícita uma crítica histórica.

O alvo dessa crítica é:

  1. A
    a censura da elite econômica
  2. B
    a burocracia republicana nascente
  3. C
    o silenciamento da herança indígena
  4. D
    o purismo do pensamento cientificista
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Resolução comentada

O requerimento de Policarpo pede que o tupi-guarani seja a língua oficial do Brasil. O pedido soa exagerado, e é daí que vem a ironia. Mas o fato de ele escolher justamente uma língua indígena revela o que a crítica deixa implícita.

Passo a passo:

  1. Policarpo diz que o português é uma língua "emprestada", ou seja, herdada do colonizador, e que quem a usa sofre censura dos "proprietários da língua". Isso mostra a dependência cultural em relação a Portugal.

  2. Ele propõe como solução o tupi-guarani, língua dos povos originários, que foi reprimida e apagada ao longo da colonização. Ao tratá-la como a língua "original" do país, o texto lembra que ela foi deixada de lado.

  3. A ironia está em propor, de forma exagerada, algo que a história impediu. Essa proposta denuncia, de modo implícito, o apagamento da herança indígena na formação nacional.

  4. Testando as demais opções: a elite econômica e a burocracia não são o foco do trecho. O cientificismo também não aparece. A polêmica entre gramáticos é só o ponto de partida do argumento, e não o alvo da crítica histórica.

Portanto, a crítica histórica implícita recai sobre o silenciamento da herança indígena.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto fala em censura dos gramáticos "proprietários da língua", não de uma elite econômica.
  • BO requerimento usa a burocracia só como forma; ela não é o alvo da crítica histórica.
  • DNão há referência a cientificismo nem a purismo científico no trecho.

Assuntos: Lima Barreto, ironia, herança indígena.

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Fonte: UERJ 2021 · Exame Único. Prova oficial ↗