PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 47 (1º exame) da UERJ 2019
BAIXA DO SAPATEIRO, MARÉ,
DÉCADAS DE 1950-1960

MARÉ, INÍCIO DO SÉCULO XXI

A história da Maré começa nos anos 40. No final dessa década, já havia palafitas – barracos de madeira sobre a lama e a água. Surgem as comunidades da Baixa do Sapateiro, Parque Maré e Morro do Timbau – este em terra firme. A construção da avenida Brasil, concluída em 1946, foi determinante para a ocupação da área, que prosseguiu pela década de 50. Nos anos 60, um novo fluxo de ocupação teve início, quando moradores da Praia do Pinto, Morro da Formiga, Favela do Esqueleto e desabrigados das margens do rio Faria-Timbó foram transferidos para moradias ”provisórias” construídas na Maré. O início dos anos 80, quando a Maré das palafitas era símbolo da miséria nacional, marca a primeira grande intervenção do governo federal: o Projeto Rio, que previa o aterramento e a transferência dos moradores das palafitas para construções pré-fabricadas. Em 1988, foi criada a 30a Região Administrativa (R.A.), abarcando a área da Maré. A primeira R.A. da cidade a se instalar numa favela marcou seu reconhecimento como um bairro.
Adaptado de museudamare.org.br.
Composta hoje por 16 comunidades, a Maré é o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro. Sua história, em parte, está relacionada com as transformações na cidade entre meados do século XX e o momento atual.
Considerando tais transformações, a análise das fotos e do texto permite concluir que a história da Maré é marcada pelo seguinte processo urbano:
- Aestabilização das políticas públicas em regiões insalubres
- Bintegração das vias de transporte em logradouros periféricos
- Cexpansão de habitações populares em espaços desvalorizados
- Dmanutenção de obras de recuperação em ambientes degradados
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Resolução comentada
A questão pede o processo urbano que marca a história da Maré, combinando texto e fotos.
- Na primeira foto (décadas de 1950-1960), há barracos de madeira sobre palafitas, na lama e na água. São áreas alagadiças, sem valor para o mercado imobiliário, e por isso ocupadas por quem não tinha acesso à moradia formal.
- O texto mostra a ocupação crescendo: nos anos 40 e 50 vieram as primeiras comunidades; nos anos 60 chegaram moradores removidos de outras favelas e desabrigados, levados para moradias "provisórias".
- Nos anos 80, o aterramento (Projeto Rio) transformou o mangue em terra firme. Na segunda foto, do início do século XXI, a área aparece densamente ocupada por casas de alvenaria coladas umas às outras.
- Em 1988, a Maré foi reconhecida como bairro, com uma Região Administrativa própria.
O fio condutor é, portanto, o crescimento contínuo da moradia popular em terrenos que o mercado não valorizava (mangues e áreas alagadas).
As demais alternativas não se sustentam. As políticas públicas foram pontuais e não se estabilizaram. A avenida Brasil só facilitou a ocupação, sem integrar vias. As obras foram intervenções isoladas, e não houve manutenção contínua delas.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto mostra intervenções pontuais (Projeto Rio, remoções), não políticas públicas estabilizadas; a insalubridade persistiu.
- BA avenida Brasil apenas atraiu a ocupação; o texto não fala em integração de vias de transporte na periferia como processo da Maré.
- DNão há manutenção contínua de obras; houve uma intervenção específica (aterramento) e moradias provisórias, e as fotos mostram adensamento, não recuperação.
Assunto: Segregação socioespacial e moradia.
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Fonte: UERJ 2019 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗