PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 58 (2º exame) da UERJ 2015
Utilize as informações a seguir para responder às questões de números 57 e 58. · 2º Exame de Qualificação
Congresso indigenista originou o Dia do Índio
No Brasil, o Dia do Índio é celebrado em 19 de abril desde um decreto-lei do presidente Getúlio Vargas, de 1943. A origem da data é resultado do 1o Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940. Compreendendo a importância do diálogo, diversas lideranças indígenas resolveram aderir ao congresso, que teve entre suas resoluções a adoção da data comemorativa para toda a América. Também na década de 1940, o Brasil viveu um momento importante com relação à sua população indígena. Em 1943, a Marcha para Oeste incentivou a ocupação e o desenvolvimento da região Centro-Oeste do país. Entre os desbravadores, estavam três jovens sertanistas, os irmãos Villas Bôas, que tiveram suas trajetórias levadas ao cinema no filme “Xingu”.
Adaptado de blogs.estadao.com.br, 19/04/2012.

www.turismo.gov.br
Um Xingu comportado demais
Fui ver “Xingu”: didático, belo, comportado. Eu queria ver outro filme, e definitivamente “Xingu” não é sobre os “índios”, mas sobre a relação dos brancos com um mundo que precisam neutralizar e que é, de certa forma, insuportável. O filme aplaca certa culpa com essa bela defesa do Parque do Xingu, que evitou a dizimação ainda mais atroz de índios brasileiros. Mas criar uma reserva de humanidade já é matar. Mal menor, diz o filme. A história dos irmãos Villas Bôas e dos sertanistas é tão incrível que o filme é um disparador de mundos e imaginários. A cosmologia indígena, sua outra forma de viver e de pensar são uma das mais radicais experiências de outras humanidades.
Ivana Bentes
Adaptado de controversia.com.br, 17/04/2012.
Na crítica ao filme “Xingu” , é apontado um dilema quanto aos direitos de populações indígenas.
Nesse dilema, são confrontadas as seguintes diretrizes das atuais políticas governamentais:
- Atutela – emancipação
- Bproteção – aculturação
- Cpreservação – integração
- Dterritorialização – miscigenação
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Resolução comentada
A crítica de Ivana Bentes diz que o filme faz uma "bela defesa do Parque do Xingu", que evitou uma dizimação ainda mais atroz dos índios. Ela acrescenta que "criar uma reserva de humanidade já é matar" e que isso seria um "mal menor".
O dilema tem dois lados:
- Preservação: criar a reserva protege os povos indígenas, seu território, sua cultura e sua cosmologia contra a violência da expansão da Marcha para Oeste.
- Integração: a reserva é uma forma de lidar com esses povos dentro do projeto do Estado brasileiro. Ela os isola e os "neutraliza", e a crítica vê nisso uma forma de morte cultural. Por isso o texto fala de "relação dos brancos com um mundo que precisam neutralizar".
Ou seja, as políticas governamentais oscilam entre preservar o modo de vida indígena, mantendo as terras demarcadas, e integrar os índios à sociedade nacional. Esses dois objetivos entram em tensão.
As demais opções não correspondem a esse dilema. Tutela e emancipação são conceitos jurídicos sobre a capacidade civil. Aculturação não é diretriz atual. Miscigenação não é política de governo.
A dupla que expressa o dilema do texto é preservação e integração.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ATutela e emancipação tratam da capacidade jurídica dos índios, tema que o texto não discute.
- BAculturação não é diretriz das políticas atuais, que defendem o respeito às culturas indígenas.
- DMiscigenação não é diretriz governamental, e a crítica trata de reserva versus integração, não de mistura biológica.
Assunto: Povos indígenas: colonização, resistência e direitos.
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Fonte: UERJ 2015 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗