PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 14 (1º exame) da UERJ 2013

1º exame · Linguagens · Português: Modalização e marcas de subjetividade

com base no texto abaixo, responda às questões de números 09 a 15. · 1º Exame de Qualificação

Ciência e Hollywood

Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. Não me lembro de um só filme que tenha retratado isso direito. Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso. Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. Para existir ruído é necessário um meio material que transporte as perturbações que chamamos de ondas sonoras. Na ausência de atmosfera, ou água, ou outro meio, as perturbações não têm onde se propagar. Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. Pelo menos não como prioridade. Seu interesse é tornar o filme emocionante, e explosões têm justamente este papel; roubar o som de uma grande espaçonave explodindo torna a cena bem sem graça.

Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. O sucesso do filme O dia depois de amanhã (The day after tomorrow), faturando mais de meio bilhão de dólares, e seu cenário de uma idade do gelo ocorrendo em uma semana, em vez de décadas ou, melhor ainda, centenas de anos, levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos que veem as distorções com desdém e esbugalharam os olhos dos espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. Afinal, cinema é diversão.

Até recentemente, defendia a posição mais rígida, que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam. Claro, isso sempre é bom. Mas não acredito mais que seja absolutamente necessário. Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. Óbvio, documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, mas filmes não têm necessariamente um compromisso pedagógico. As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra.

Claro, filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. Outros educam as emoções através da ficção. Mas, se existirem exageros, eles não deverão ser criticados como tal. Fantasmas não existem, mas filmes de terror sim. Pode-se argumentar que, no caso de filmes que versam sobre temas científicos, as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. Isso pode ser verdade, mas elas não deveriam basear suas conclusões no que diz o filme. No mínimo, o cinema pode servir como mecanismo de alerta para questões científicas importantes: o aquecimento global, a inteligência artificial, a engenharia genética, as guerras nucleares, os riscos espaciais como cometas ou asteroides etc. Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. A arte distorce para persuadir. E o cinema moderno, com efeitos especiais absolutamente espetaculares, distorce com enorme facilidade e poder de persuasão.

O que os cientistas podem fazer, e isso está virando moda nas universidades norte-americanas, é usar filmes nas salas de aula para educar seus alunos sobre o que é cientificamente correto e o que é absurdo. Ou seja, usar o cinema como ferramenta pedagógica. Os alunos certamente prestarão muita atenção, muito mais do que em uma aula convencional. Com isso, será possível educar a população para que, no futuro, um número cada vez maior de pessoas possa discernir o real do imaginário.

MARCELO GLEISER
Adaptado de www1.folha.uol.com.br.

Ao longo do texto, o autor procura evitar generalizações, admitindo, após algumas conclusões, a possibilidade de exceções.

Essa atitude do autor está exemplificada em:

  1. A
    Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. (\ell. 3)
  2. B
    Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. (\ell. 9)
  3. C
    Óbvio, documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, (\ell. 18)
  4. D
    As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra. (\ell. 19-20)
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

A questão pede o trecho em que o autor conclui algo e, ao mesmo tempo, admite exceções, ou seja, evita uma generalização absoluta.

Para isso, procure expressões que atenuam a afirmação, como "em geral", "quase sempre", "como via de regra", "ao menos".

Analisando as alternativas:

  1. (A) "Sempre vemos explosões...": o advérbio "sempre" é uma generalização, sem ressalva.
  2. (B) "o debate ... tem aquecido": apenas constata um fato recente, sem generalizar nem admitir exceção.
  3. (C) "documentários devem retratar fielmente": é uma afirmação enfática ("Óbvio"), sem abertura para exceções.
  4. (D) "As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra": o autor afirma que as pessoas vão ao cinema por diversão, mas ressalva que isso vale como regra. "Via de regra" admite que há casos que fogem a ela, e "ao menos" suaviza a afirmação.

Portanto, só em (D) o autor faz a conclusão e reconhece a possibilidade de exceção.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO advérbio "sempre" expressa generalização total, o oposto de admitir exceções.
  • BApenas constata que o debate esquentou; não há generalização nem ressalva.
  • CAfirma de forma categórica ("Óbvio", "devem"), sem admitir exceção.

Assunto: Modalização e marcas de subjetividade.

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Ver como caiu na prova Questão 14 no caderno 1º Exame de Qualificação da UERJ 2013

Fonte: UERJ 2013 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗