PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 12 (1º exame) da UERJ 2013

1º exame · Linguagens · Português: Figuras de palavra: metáfora, comparação e metonímia

com base no texto abaixo, responda às questões de números 09 a 15. · 1º Exame de Qualificação

Ciência e Hollywood

Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. Não me lembro de um só filme que tenha retratado isso direito. Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso. Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. Para existir ruído é necessário um meio material que transporte as perturbações que chamamos de ondas sonoras. Na ausência de atmosfera, ou água, ou outro meio, as perturbações não têm onde se propagar. Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. Pelo menos não como prioridade. Seu interesse é tornar o filme emocionante, e explosões têm justamente este papel; roubar o som de uma grande espaçonave explodindo torna a cena bem sem graça.

Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. O sucesso do filme O dia depois de amanhã (The day after tomorrow), faturando mais de meio bilhão de dólares, e seu cenário de uma idade do gelo ocorrendo em uma semana, em vez de décadas ou, melhor ainda, centenas de anos, levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos que veem as distorções com desdém e esbugalharam os olhos dos espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. Afinal, cinema é diversão.

Até recentemente, defendia a posição mais rígida, que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam. Claro, isso sempre é bom. Mas não acredito mais que seja absolutamente necessário. Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. Óbvio, documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, mas filmes não têm necessariamente um compromisso pedagógico. As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra.

Claro, filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. Outros educam as emoções através da ficção. Mas, se existirem exageros, eles não deverão ser criticados como tal. Fantasmas não existem, mas filmes de terror sim. Pode-se argumentar que, no caso de filmes que versam sobre temas científicos, as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. Isso pode ser verdade, mas elas não deveriam basear suas conclusões no que diz o filme. No mínimo, o cinema pode servir como mecanismo de alerta para questões científicas importantes: o aquecimento global, a inteligência artificial, a engenharia genética, as guerras nucleares, os riscos espaciais como cometas ou asteroides etc. Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. A arte distorce para persuadir. E o cinema moderno, com efeitos especiais absolutamente espetaculares, distorce com enorme facilidade e poder de persuasão.

O que os cientistas podem fazer, e isso está virando moda nas universidades norte-americanas, é usar filmes nas salas de aula para educar seus alunos sobre o que é cientificamente correto e o que é absurdo. Ou seja, usar o cinema como ferramenta pedagógica. Os alunos certamente prestarão muita atenção, muito mais do que em uma aula convencional. Com isso, será possível educar a população para que, no futuro, um número cada vez maior de pessoas possa discernir o real do imaginário.

MARCELO GLEISER
Adaptado de www1.folha.uol.com.br.

No título do texto, a palavra Hollywood é empregada por causa da identificação entre a indústria cinematográfica e uma localidade dos Estados Unidos que concentra empresas do ramo.

Esse emprego, portanto, configura uma figura de linguagem conhecida como:

  1. A
    metáfora
  2. B
    hipérbole
  3. C
    metonímia
  4. D
    eufemismo
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
Reportar erro na questão
O que está errado?
Sem cadastro: não guardamos quem enviou.
Resolução comentada

Hollywood é um bairro de Los Angeles, nos Estados Unidos, onde se concentram os grandes estúdios de cinema. No título, o nome do lugar é usado para designar a indústria cinematográfica norte-americana.

O conceito central é a metonímia: figura que troca um termo por outro com o qual ele mantém uma relação de proximidade, de contiguidade lógica ou física. Entre as relações típicas estão o autor pela obra, a parte pelo todo, o continente pelo conteúdo e o lugar pelo que nele se produz ou se concentra.

Aplicando ao título:

  1. Termo empregado: Hollywood (o lugar).
  2. Termo que ele substitui: a indústria do cinema, com seus estúdios e produtores.
  3. Relação entre eles: o lugar abriga as empresas, como em "Wall Street" para o mercado financeiro ou "Planalto" para o governo federal.

Como o enunciado já diz que há identificação entre a indústria e a localidade que a concentra, trata-se de substituição por contiguidade, e não de comparação implícita (metáfora), de exagero (hipérbole) ou de suavização de uma ideia desagradável (eufemismo).

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AMetáfora exige comparação implícita por semelhança, e aqui há relação de contiguidade entre o lugar e a indústria.
  • BHipérbole é exagero expressivo, o que não ocorre ao nomear a indústria pelo lugar.
  • DEufemismo suaviza uma expressão desagradável, e o título não faz isso.

Assunto: Figuras de palavra: metáfora, comparação e metonímia.

Reportar erro na resolução
O que está errado?
Sem cadastro: não guardamos quem enviou.
Ver como caiu na prova Questão 12 no caderno 1º Exame de Qualificação da UERJ 2013

Fonte: UERJ 2013 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗