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Questão 54 (2º exame) da UERJ 2012

2º exame · Ciências Humanas · História: Revoltas na Primeira República

Cheio de apreensões e receios despontou o dia de ontem, 14 de novembro de 1904. Muito cedo tiveram início os tumultos e depredações. Foi grande o tiroteio que se travou. Estavam formadas em toda a rua do Regente, estreita e cheia de casas velhas, grandes e fortes barricadas feitas de montões de pedras, sacos de areia, bondes virados, postes e pedaços de madeira arrancados às casas e às obras da avenida Passos.

Jornal do Comércio, 15/11/1904

Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980.

O progresso envaidecera a cidade vestida de novo, principalmente inundada de claridade, com jornais nervosos que a convenciam de ser a mais bela do mundo. Era a transição da cidade doente para a maravilhosa.

PEDRO CALMON (historiador / 1902-1985)

Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980.

Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais.

A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à:

  1. A
    restrição ao comércio popular
  2. B
    devastação de áreas florestais
  3. C
    demolição de moradias coletivas
  4. D
    elevação das tarifas de transporte
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Resolução comentada

Os textos descrevem a Revolta da Vacina (novembro de 1904), no Rio de Janeiro, durante a reforma urbana de Pereira Passos, conhecida como "bota-abaixo".

O primeiro texto mostra barricadas na rua do Regente, "estreita e cheia de casas velhas", feitas com material arrancado "às obras da avenida Passos". Ou seja, o conflito ocorreu justamente nas áreas atingidas pelas obras. O segundo texto fala da "transição da cidade doente para a maravilhosa", a ideia de higienizar e embelezar o centro.

Para abrir a avenida Central e alargar ruas, a prefeitura demoliu centenas de cortiços e casas de aluguel no centro, onde vivia a população pobre. Os moradores perderam a habitação sem indenização adequada nem moradia alternativa, e foram empurrados para os morros e a periferia, o que aumentou a revolta. Somou-se a isso a obrigatoriedade da vacina contra a varíola, imposta de forma autoritária por Oswaldo Cruz, que serviu de estopim.

Analisando as alternativas:

  1. Comércio popular e tarifas de transporte não foram o foco do conflito.
  2. Florestas não eram o alvo das obras, que eram urbanas e centrais.
  3. A demolição de moradias coletivas (cortiços) foi a principal causa do descontentamento popular.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO comércio popular não foi o centro da reforma nem a principal causa da revolta.
  • BAs obras ocorreram em área urbana central, não houve devastação florestal envolvida.
  • DA elevação das tarifas de transporte não aparece nos textos nem na reforma de Passos.

Assunto: Revoltas na Primeira República.

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Ver como caiu na prova Questão 54 no caderno 2º Exame de Qualificação da UERJ 2012

Fonte: UERJ 2012 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗