PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 5 (1º exame) da UERJ 2012

1º exame · Linguagens · Português: Conectivos e relações lógico-semânticas

Texto-base das questões 03 a 07 · 1º Exame de Qualificação

O chá, os fantasmas, os ventos encanados...

Nasci no tempo dos ventos encanados, quando, para evitar compromissos, a “gente bem” dizia estar com enxaqueca, palavra horrível mas desculpa distinta. Ter enxaqueca não era para todos, mas só para essas senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado. Quando eu via aquilo, ficava a pensar sozinho comigo (menino, naqueles tempos, não dava opinião) por que é que elas não usavam, para cúmulo da elegância, um laçarote azul no dedo... Também se falava misteriosamente em “moléstias de senhoras” nos anúncios farmacêuticos que eu lia. Era decerto uma coisa privativa das senhoras, como as enxaquecas, pois as criadas, essas, não tinham tempo para isso. Mas, em compensação, me assustavam deliciosamente com histórias de assombrações. Nunca me apareceu nenhuma. Pelo visto, era isso: nunca consegui comunicar-me com este nem com o outro mundo. A não ser através d’O tico-tico e da poesia de Camões, do qual até hoje me assombra este verso único: “Que o menor mal de tudo seja a morte!” Pois a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo.

MÁRIO QUINTANA
Mario Quintana: poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

A não ser através d’ O tico-tico e da poesia de Camões, (\ell. 10-11)

A expressão em destaque torna a frase que ela introduz uma ressalva em relação ao que está enunciado anteriormente.

Essa ressalva evidencia que as leituras do poeta lhe davam a seguinte possibilidade:

  1. A
    rever suas crenças arraigadas
  2. B
    interagir com universos diferentes
  3. C
    superar uma alienação do presente
  4. D
    compreender a idealização da morte
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Resolução comentada

A expressão "a não ser" introduz uma exceção à frase anterior. Antes dela, o poeta afirma: "nunca consegui comunicar-me com este nem com o outro mundo", isto é, nem com o mundo real nem com o mundo sobrenatural (as assombrações que nunca lhe apareceram).

A ressalva diz que houve uma exceção: a comunicação ocorreu "através d'O tico-tico e da poesia de Camões". O trecho final do texto confirma isso: "a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo".

Portanto, as leituras davam ao poeta a possibilidade de interagir com mundos diferentes, o real ("este") e o outro (o imaginário ou sobrenatural).

Conferindo as demais: o texto não fala de crenças arraigadas, de alienação do presente nem de idealização da morte. O verso de Camões apenas "assombra" o poeta.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto não menciona crenças arraigadas nem revisão delas; a ressalva trata de comunicação com os mundos.
  • CNão há ideia de alienação do presente; as leituras ampliam o contato com "este" e com "o outro" mundo.
  • DO verso de Camões sobre a morte é só um exemplo que o assombra, não o sentido da ressalva, que fala de comunicação.

Assuntos: Conectivos e relações lógico-semânticas, Inferência e implícitos (pressupostos e subentendidos).

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Ver como caiu na prova Questão 5 no caderno 1º Exame de Qualificação da UERJ 2012

Fonte: UERJ 2012 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗