PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 45 (1º exame) da UERJ 2012

1º exame · Ciências Humanas · Geografia: Revoluções industriais e modelos produtivos

Quando os auditores do Ministério do Trabalho entraram na casa de paredes descascadas num bairro residencial da capital paulista, parecia improvável que dali sairiam peças costuradas para uma das maiores redes de varejo do país. Não fossem as etiquetas da loja coladas aos casacos, seria difícil acreditar que, através de uma empresa terceirizada, a rede pagava 20 centavos por peça a imigrantes bolivianos que costuravam das 8 da manhã às 10 da noite. Os 16 trabalhadores suavam em dois cômodos sem janelas de 6 metros quadrados cada um. Costurando casacos da marca da rede, havia dois menores de idade e dois jovens que completaram 18 anos na oficina.

Adaptado de Época, 04/04/2011

A comparação entre modelos produtivos permite compreender a organização do modo de produção capitalista a cada momento de sua história. Contudo, é comum verificar a coexistência de características de modelos produtivos de épocas diferentes.

Na situação descrita na reportagem, identifica-se o seguinte par de características de modelos distintos do capitalismo:

  1. A
    organização fabril do taylorismo – legislação social fordista
  2. B
    nível de tecnologia do neofordismo – perfil artesanal manchesteriano
  3. C
    estratégia empresarial do toyotismo – relação de trabalho pré-fordista
  4. D
    regulação estatal do pós-fordismo – padrão técnico sistêmico-flexível
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Resolução comentada

A reportagem mostra dois traços que precisam ser separados.

  1. A rede de varejo contrata uma empresa terceirizada para produzir as peças. Terceirizar, reduzir custos e produzir sob demanda, repassando a produção a outras firmas, é uma estratégia típica do toyotismo (acumulação flexível, "empresa enxuta").

  2. As condições dos trabalhadores são jornada de 14 horas (das 8h às 22h), pagamento por peça (20 centavos), espaço insalubre, trabalho de menores e imigrantes sem direitos. Isso lembra a exploração do início da industrialização, anterior ao fordismo, que trouxe jornada regulada, salários maiores e direitos sociais. É uma relação de trabalho pré-fordista.

Assim, o par de modelos distintos é estratégia empresarial toyotista (terceirização) combinada com relação de trabalho pré-fordista (superexploração).

Os outros pares falham: não há organização fabril taylorista nem legislação fordista na oficina; não há tecnologia avançada, pois a oficina é precária; e não há regulação estatal nem padrão técnico sistêmico-flexível, já que o Estado só aparece por meio da fiscalização que flagra a irregularidade.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ANão há organização taylorista da fábrica nem direitos trabalhistas fordistas; as condições descritas são de ausência de legislação.
  • BA oficina tem baixa tecnologia, não o nível tecnológico do neofordismo; o par fica incoerente.
  • DO Estado não regula a situação (apenas fiscaliza) e a oficina não tem padrão técnico sistêmico-flexível.

Assuntos: Revoluções industriais e modelos produtivos, Mercado de trabalho e setores da economia.

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Ver como caiu na prova Questão 45 no caderno 1º Exame de Qualificação da UERJ 2012

Fonte: UERJ 2012 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗