PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 14 do ITA 2024
A respeito de Nós matamos o cão tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, assinale a alternativa CORRETA.
- AA crítica ao colonialismo é circunscrita às mulheres, como em “Dina”.
- BO vocabulário com termos do idioma ronga é uma forma de inscrever, na própria linguagem, o sucesso humanitário do colonialismo português.
- CO uso de termos do idioma ronga é uma forma de inscrever, na própria linguagem, o desprezo para com a cultura local por parte do escritor.
- DMarcas de oralidade e vocabulário, a despeito da ocupação portuguesa, sugerem uma identidade cultural autônoma e forte.
- EUma das características que as personagens apresentam é o elitismo introjetado pelos povos colonizados, como em “Nhinguitimo”.
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Resolução comentada
Nós matamos o cão tinhoso (1964), de Honwana, reúne contos ambientados em Moçambique colonial. Neles, a violência do colonialismo aparece em vários níveis: o racismo, a opressão de classe, a humilhação de crianças e adultos negros, e não só a situação das mulheres.
O autor mistura o português padrão com marcas de oralidade e com palavras do ronga, língua local. Essa escolha é um posicionamento: a língua do colonizador é "contaminada" pela fala e pela cultura dos colonizados. Assim, o texto mostra que a cultura local resiste e tem identidade própria, apesar da ocupação.
Analisando as alternativas:
- Em A, a crítica não se restringe às mulheres. Contos como o que dá título ao livro tratam da violência contra os negros em geral.
- Em B, o uso do ronga não celebra um "sucesso humanitário" do colonialismo. A obra denuncia a opressão.
- Em C, o ronga não expressa desprezo: ele valoriza a cultura local.
- Em D, a leitura confere com a obra: oralidade e vocabulário local indicam uma identidade cultural autônoma e forte.
- Em E, as personagens não apresentam elitismo introjetado. "Nhinguitimo" mostra o sofrimento e a revolta de um personagem oprimido.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA crítica ao colonialismo na obra é ampla (racismo, classe, infância), não restrita às mulheres.
- BO ronga não celebra sucesso humanitário algum; a obra denuncia a opressão colonial.
- CO uso do ronga valoriza a cultura local, não expressa desprezo do autor por ela.
- EOs colonizados aparecem como oprimidos, não como portadores de elitismo; "Nhinguitimo" não ilustra isso.
Assuntos: literatura moçambicana, Luís Bernardo Honwana, colonialismo e linguagem.
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Fonte: ITA 2024 · 1ª fase. Prova oficial ↗