PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 26 do ITA 2022
Leia atentamente o trecho, à esquerda, do conto “A mão no ombro” e, em seguida, assinale, à direita, a alternativa CORRETA.
Deixou cair a folha seca, enfurnou as mãos nos bolsos e seguiu pisando com a mesma prudência da estátua. Contornou o tufo de begônias, vacilou entre os dois ciprestes (mas o que significava essa estátua?) e enveredou por uma alameda que lhe pareceu menos sombria. Um jardim inocente.
- Aé um narrador predominantemente em terceira pessoa, que utiliza, por vezes, o discurso indireto livre para se confundir com a personagem protagonista.
- Bé um narrador em primeira pessoa que constrói um monólogo interior.
- Cé um narrador protagonista, que relata, em primeira pessoa, as experiências que outra personagem lhe contou.
- Dé um narrador em terceira pessoa pouco atento aos pensamentos da personagem protagonista.
- Eé um narrador judicativo que recrimina a culpa que a personagem protagonista sente e, por isso, faz perguntas a si próprio.
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Resolução comentada
O trecho pede que se identifique o tipo de narrador. Vamos aos indícios no texto.
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Os verbos estão na terceira pessoa: "Deixou cair", "enfurnou", "seguiu", "contornou", "vacilou", "enveredou". Quem conta a história está fora dela e fala de "ele". Isso já elimina as alternativas com narrador em primeira pessoa (B e C).
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Em meio à narração aparece o parêntese "(mas o que significava essa estátua?)". A pergunta não é feita pelo narrador a si mesmo: é a dúvida da própria personagem, que não vem introduzida por "ele pensou" nem por aspas. Isso é o discurso indireto livre, em que a voz do narrador se mistura com os pensamentos da personagem.
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Também "Um jardim inocente." soa como a avaliação da personagem, que tenta se tranquilizar, e não como uma descrição neutra. É outro indício dessa mistura de vozes.
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Como o narrador acessa os pensamentos da personagem, a alternativa D, que diz que ele é pouco atento a eles, fica errada. A E também não se sustenta: não há julgamento nem recriminação da culpa, e a pergunta é da personagem.
Portanto, a descrição correta é a de um narrador em terceira pessoa que, por vezes, usa o discurso indireto livre.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BNão há narrador em primeira pessoa nem monólogo interior; os verbos estão na terceira pessoa.
- CNão existe narrador-protagonista relatando o que outro lhe contou; o narrador é externo à história.
- DO narrador acessa os pensamentos da personagem, como mostra a pergunta entre parênteses.
- ENão há julgamento nem recriminação da culpa; a pergunta é da personagem, não do narrador a si mesmo.
Assuntos: foco narrativo, discurso indireto livre.
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Fonte: ITA 2022 · 1ª fase. Prova oficial ↗