PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 20 do ITA 2022
Leia atentamente, à esquerda, o trecho destacado de Numa e a ninfa e assinale, à direita, a alternativa que a caracteriza INCORRETAMENTE.
A Cidade Nova dança à francesa ou à americana e ao som do piano. Há por lá até o célebre tipo do pianista, tão amaldiçoado, mas tão aproveitado que bem se induz que é ocultamente querido por toda a cidade. É um tipo bem característico, bem função do lugar, o que vem a demonstrar que o ‘cateretê’ não é bem do que a Cidade Nova gosta.
- Aa observação de fatos cotidianos aproxima-se da crônica e permite ao narrador relatar algo que o senso comum não percebe imediatamente.
- Bpelo relato dos fatos cotidianos, o narrador revela que, por trás das aparências, há uma recusa da cultura popular implícita na adesão à estrangeira.
- Co narrador manifesta sutilmente um juízo acerca do que se passa.
- Do relato e a interpretação do fato cotidiano facultam ao leitor formular seus próprios juízos sobre o que se passa.
- Eé um relato estritamente objetivo que não busca manifestar nenhuma perspectiva subjetiva ou aspecto despercebido do cotidiano.
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Resolução comentada
O enunciado pede a alternativa que caracteriza o trecho de forma incorreta, então é preciso achar a que contradiz o que o texto faz.
O trecho é de Lima Barreto e descreve a Cidade Nova, bairro do Rio de Janeiro, com uma observação do cotidiano, como faz a crônica. Vale notar os recursos que mostram a posição do narrador:
- A expressão "tão amaldiçoado, mas tão aproveitado" aponta uma contradição: o pianista é criticado em público, mas desejado em segredo ("ocultamente querido por toda a cidade"). Isso é uma percepção que o senso comum não registra de imediato (A).
- Ao concluir que o "cateretê" (dança popular) "não é bem do que a Cidade Nova gosta", o narrador revela que a adesão à dança "à francesa ou à americana" esconde a recusa do popular (B).
- A ironia, em "célebre tipo" e "bem função do lugar", mostra um juízo dado de forma discreta, sem ser declarado (C).
- Como o juízo é sutil e o narrador só sugere ("bem se induz"), o leitor também pode interpretar e formar o seu próprio juízo (D).
- Já a alternativa E diz que o relato é "estritamente objetivo" e não traz perspectiva subjetiva. Isso é falso: o trecho está cheio de ironia, de avaliação e de inferências do narrador.
Portanto, a caracterização incorreta é a que nega a subjetividade do narrador.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ACaracterização correta: o trecho tem tom de crônica e revela algo que o senso comum não nota, o gosto oculto pelo pianista.
- BCaracterização correta: a conclusão sobre o cateretê mostra a recusa do popular por trás da adesão ao estrangeiro.
- CCaracterização correta: a ironia expressa um juízo de forma sutil.
- DCaracterização correta: o narrador apenas sugere, e o leitor pode formular o próprio juízo.
Assuntos: Lima Barreto, crônica, ironia e ponto de vista do narrador.
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Fonte: ITA 2022 · 1ª fase. Prova oficial ↗