PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 23 do ITA 2020
Texto-base das questões 22 a 23 · 1ª fase
... O vereador fez esta reflexão: —Nada tenho que ver com a ciência; mas se tantos homens em quem supomos juízo são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista? [Contos, p. 299].
Acerca do sentido da narrativa, o trecho destacado permite afirmar que
- Aconforme afirma Padre Lopes, apenas a teologia distingue nitidamente entre razão e loucura.
- Bapenas quem for cientista, como Simão Bacamarte, e não louco, tem condições de distinguir nitidamente entre razão e loucura.
- Csó é louco quem, como D. Evarista, não consegue estabelecer normas para a própria vida.
- Da tentativa de distinguir clara e distintamente entre razão e loucura é uma presunção absurda, própria de pessoas desequilibradas, como se revela o protagonista.
- Ecomo exemplifica a prisão da esposa do boticário, saber como e quando tolerar infrações e desvios da norma dominante não basta para assegurar que alguém é perfeitamente razoável.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
O trecho é de O Alienista, de Machado de Assis. Quando a Casa Verde passa a internar quase toda a população de Itaguaí, um vereador faz uma dúvida de bom senso: se tantos homens tidos por sensatos são trancados como loucos, quem garante que o louco não seja o próprio alienista?
A frase questiona o critério que separa razão de loucura. Ela desconfia de que Simão Bacamarte, ao tentar traçar essa fronteira de modo nítido, pode ser o desequilibrado. A ironia machadiana mostra que a certeza científica absoluta é uma forma de insanidade.
Vamos às alternativas:
- A: a teologia (Padre Lopes) não é apresentada como detentora dessa distinção, e o vereador nem fala disso.
- B: afirma o oposto do trecho, pois o vereador duvida da autoridade do cientista.
- C: o trecho não trata de D. Evarista nem de normas para a própria vida.
- D: coincide com a dúvida do vereador, já que presumir distinguir com clareza razão e loucura é a desmedida de Bacamarte, que acaba revelado como o verdadeiro alienado.
- E: a prisão da esposa do boticário (Mateus) não é o exemplo ligado à fala, e o foco do vereador não é a tolerância a desvios.
Portanto, a leitura correta é a de que a pretensão de separar com nitidez razão e loucura é absurda e própria do desequilíbrio do protagonista.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAtribui a Padre Lopes e à teologia uma distinção que o trecho não menciona.
- BInverte o sentido: o vereador questiona justamente a autoridade do cientista.
- CIntroduz D. Evarista e um critério (estabelecer normas de vida) alheios à fala do vereador.
- EUsa um exemplo que não se relaciona à dúvida do vereador e desloca o foco para a tolerância a desvios.
Assuntos: Machado de Assis, O Alienista, interpretação de texto.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova
Fonte: ITA 2020 · 1ª fase. Prova oficial ↗