PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 33 (Português) do ITA 2018
Texto-base das questões 32 a 35 · Português
As questões de 32 a 35 referem-se ao texto a seguir:
Texto 2
a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer
não quero morrer pois quero ver
como será que deve ser envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é
e dizer venha pra o que vai acontecer
eu quero que o tapete voe / no meio da sala de estar
eu quero que a panela de pressão pressione
e que a pia comece a pingar
eu quero que a sirene soe
e me faça levantar do sofá
eu quero pôr Rita Pavone*
no ringtone do meu celular
eu quero estar no meio do ciclone
pra poder aproveitar
e quando eu esquecer meu próprio nome
que me chamem de velho gagá
pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé
com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer
não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr.
(ANTUNES, A. Envelhecer. Álbum Ao vivo lá em casa. 2010.)
*cantora italiana de grande sucesso na década de 1960.
O emprego recorrente do verbo querer, no texto, revela
- Ainconformismo diante do processo de envelhecimento.
- Bmedo de se tornar inútil quando a velhice chegar.
- Canseio por uma vida plena de coisas boas.
- Dcrença na ideia de que querer é poder.
- Eboa receptividade para a chegada da velhice.
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Resolução comentada
O verbo querer aparece em versos como "eu quero é viver pra ver qual é", "eu quero que o tapete voe", "eu quero estar no meio do ciclone pra poder aproveitar". Em todos eles o eu lírico expressa disposição diante do que vem pela frente.
Observe o contexto:
- Ele abre dizendo que envelhecer é "a coisa mais moderna", ou seja, algo novo e interessante, não uma perda.
- Diz "não quero morrer pois quero ver como será envelhecer": há curiosidade, não resistência.
- Pede coisas banais ou inusitadas (tapete voando, pia pingando, sirene soando), mostrando que aceita o inesperado e até o deseja.
- Aceita ser chamado de "velho gagá" e critica quem "vira a cara pro presente", pois ser "eternamente adolescente" é demodé.
Portanto, a repetição de "eu quero" mostra que ele acolhe bem a velhice e todas as suas transformações, sem lamento nem medo. Isso descarta o inconformismo (A) e o medo da inutilidade (B). A alternativa C amplia demais: ele não quer só "coisas boas" (pia pingando, sirene). A D não tem apoio no texto: não há ideia de que querer garanta realizar algo.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO eu lírico não se revolta; ele celebra o envelhecer como algo moderno e aceita suas marcas.
- BNão há medo de inutilidade; ele quer aproveitar e se levantar do sofá, ativo diante do que vier.
- CEntre os desejos há coisas incômodas (pia pingando, sirene, ciclone), então não se trata só de coisas boas.
- DO texto não afirma que a vontade realiza as coisas; apenas expressa disposição de viver o que acontecer.
Assunto: Modalização e marcas de subjetividade.
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Fonte: ITA 2018 · Português. Prova oficial ↗