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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 38 (Português) do ITA 2012

Português · Literatura: Prosa romântica e José de Alencar

Texto-base das questões 38 a 39 · Português

As questões 38 e 39 referem-se ao texto abaixo, extraído de O Guarani, de José de Alencar.

De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.

É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.

Dir-se-ia que, vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam sobre elas: escravo submisso, sofre o látego* do senhor.

Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade.

Aí, Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pelo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa. (José de Alencar. O Guarani.) (*) látego: chicote

O trecho anterior, relacionado ao enredo do romance, cria um cenário que prepara o leitor para o conflito entre:

  1. A
    espécies do mundo natural.
  2. B
    nativos e a natureza.
  3. C
    índios e escravos.
  4. D
    tribos indígenas.
  5. E
    colonizador e nativos.
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Resolução comentada

O trecho descreve o rio Paquequer em duas fases. Perto da nascente e da cachoeira, ele é livre, indômito, altivo, comparado ao tapir e ao tigre. Quando chega ao Paraíba, torna-se "vassalo e tributário", "escravo submisso" que "sofre o látego do senhor".

O texto constrói, portanto, uma alegoria de dominação: o pequeno rio livre é submetido ao grande rio, assim como o nativo livre da "pátria da liberdade" é submetido a um poder maior. Os termos vassalo, suserano, escravo, senhor e látego pertencem ao campo semântico da relação entre dominador e dominado.

No enredo de O Guarani, o conflito central opõe o colonizador português (D. Antônio de Mariz e sua casa) aos nativos (Peris, o goitacá, e os aimorés), com a convivência marcada por submissão e lealdade de Peri ao branco, além do confronto com os aimorés. A paisagem anuncia esse choque entre liberdade selvagem e dominação.

As demais opções não se sustentam: o texto não opõe espécies animais, nem índios a escravos, nem tribos entre si como eixo da metáfora; e a natureza aqui é imagem, não adversária dos nativos.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ATapir e tigre são só comparações para o rio; não há conflito entre espécies no enredo.
  • BA natureza é cenário e símbolo do nativo livre, não adversária dele.
  • CO vocabulário de escravidão é metáfora para o rio dominado, não indica conflito entre índios e escravos.
  • DEmbora haja aimorés e goitacás, a metáfora de vassalagem e senhor aponta para dominação, não para guerra entre tribos.

Assunto: Prosa romântica e José de Alencar.

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Fonte: ITA 2012 · Português. Prova oficial ↗