PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 26 (Português) do ITA 2012
Texto-base das questões 21 a 29 · Português
As questões de 21 a 29 referem-se ao seguinte texto:
Texto 1
Moradores de Higienópolis admitiram ao jornal Folha de S. Paulo que a abertura de uma estação de metrô na avenida Angélica traria “gente diferenciada” ao bairro. Não é difícil imaginar que alguns vizinhos do Morumbi compartilhem esse medo e prefiram o isolamento garantido com a inexistência de transporte público de massa por ali.
Mas à parte o gosto exacerbado dos paulistanos por levantar muros, erguer fortalezas e se refugiar em ambientes distantes do Brasil real, o poder público não fez a sua parte em desmentir que a chegada do transporte de massas não degrade a paisagem urbana.
Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, e grande especialista em transporte coletivo, diz que não basta criar corredores de ônibus bem asfaltados e servidos por diversas linhas. Abrigos confortáveis, boa iluminação, calçamento, limpeza e paisagismo que circundam estações de metrô ou pontos de ônibus precisam mostrar o status que o transporte público tem em uma determinada cidade.
Se no entorno do ponto de ônibus, a calçada está esburacada, há sujeira e a escuridão afugenta pessoas à noite, é normal que moradores não queiram a chegada do transporte de massa.
A instalação de linhas de monotrilho ou de corredores de ônibus precisa vitaminar uma área, não destruí-la.
Quando as grades da Nove de Julho foram retiradas, a avenida ficou menos tétrica, quase bonita. Quando o corredor da Rebouças fez pontos muito modestos, que acumulam diversos ônibus sem dar vazão a desembarques, a imagem do engarrafamento e da bagunça vira um desastre de relações públicas.
Em Istambul, monotrilhos foram instalados no nível da rua, como os “trams” das cidades alemãs e suíças. Mesmo em uma cidade de 16 milhões de habitantes na Turquia, país emergente como o Brasil, houve cuidado com os abrigos feitos de vidro, com os bancos caprichados – em formato de livro – e com a iluminação. Restou menos espaço para os carros porque a idéia ali era tentar convencer na marra os motoristas a deixarem mais seus carros em casa e usarem o transporte público.
Se os monotrilhos do Morumbi, de fato, se parecerem com um Minhocão*, o Godzilla do centro de São Paulo, os moradores deveriam protestar, pedindo melhorias no projeto, detalhamento dos materiais, condições e impacto dos trilhos na paisagem urbana. Se forem como os antigos bondes, ótimo.
Mas se os moradores simplesmente recusarem qualquer ampliação do transporte público, que beneficiará diretamente os milhares de prestadores de serviço que precisam trabalhar na região do Morumbi, vai ser difícil acreditar que o problema deles não seja a gente diferenciada que precisa circular por São Paulo. (Raul Justes Lores. Folha de S. Paulo, 07/10/2010. Adaptado.)
(*) Elevado Presidente Costa e Silva, ou Minhocão, é uma via expressa que liga o Centro à Zona Oeste da cidade de São Paulo.
No texto, “gente diferenciada” é equivalente a
- ABrasil real. (linha 6)
- Bpoder público. (linha 6)
- Crelações públicas. (linhas 18 e 19)
- Dmotoristas. (linha 24)
- Emoradores. (linha 28)
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Resolução comentada
A expressão "gente diferenciada" aparece na fala dos moradores de Higienópolis: eles temem que o metrô traga ao bairro pessoas de outro perfil social, ou seja, os que usam transporte público. Ela é eufemismo para gente mais pobre, que não pertence ao círculo deles.
O texto retoma a ideia no último parágrafo: "o problema deles não seja a gente diferenciada que precisa circular por São Paulo". Logo, a expressão designa quem circula pela cidade e depende do transporte coletivo, sobretudo os "prestadores de serviço" que trabalham no Morumbi.
Confira cada opção:
- "Brasil real" (linha 6) é o país fora dos muros e fortalezas, onde vive a maior parte da população, que não tem acesso aos bairros fechados. Ela designa o Brasil e o mundo dessa gente, e é ali que essas pessoas vivem. Dentre as opções, é a que mais se aproxima do sentido da expressão.
- "Poder público" são os governantes, que não fazem parte dos que temem a "gente diferenciada".
- "Relações públicas" é expressão de imagem, de marketing.
- "Motoristas" são os que usam carro, justamente o oposto de quem usa o transporte de massa.
- "Moradores" são os que têm o medo, não o alvo dele.
Assim, o equivalente é o grupo social que vive no "Brasil real", distante dos bairros isolados.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Bo poder público são os governantes que deveriam melhorar o projeto, não as pessoas que o bairro teme receber.
- C"relações públicas" é a imagem do corredor da Rebouças, uma expressão sobre reputação, não um grupo de pessoas.
- Dos motoristas usam carro, ao contrário de quem usaria o metrô ou ônibus.
- Eos moradores são justamente os que expressam o medo da "gente diferenciada"; são o sujeito do preconceito, não seu alvo.
Assunto: Sentido das palavras: sinonímia, antonímia e campo semântico.
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Fonte: ITA 2012 · Português. Prova oficial ↗