Questão 16 da FUVEST 2026

1ª fase

Texto para as questões 15 e 16 · V1

A uberização nomeia um novo tipo de gestão e controle da força de trabalho. Resultando das formas contemporâneas de eliminação de direitos, transferência de riscos e custos para os trabalhadores e novos arranjos produtivos, ela em alguma medida sintetiza processos em curso há décadas, ao mesmo tempo em que se apresenta como tendência para o futuro do trabalho. O tema ganha visibilidade com a formação de enormes contingentes de trabalhadores controlados por empresas que operam por meio de plataformas digitais. O desafio contemporâneo frente a esse novo tipo de organização envolve elementos complexos e armadilhas teórico-políticas. Reside em compreender as plataformas digitais como um novo meio poderoso pelo qual as relações de trabalho vêm se reestruturando, sem, entretanto, incorrer em um determinismo tecnológico que mistifique os processos sociais que envolvem décadas de flexibilização e transformação no trabalho, e que se materializam nas plataformas digitais, embora de forma obscura. Com base nessa perspectiva, o desafio também reside na compreensão de uma tendência que precede e ultrapassa as plataformas digitais, relacionada ao elemento central da uberização, qual seja, a consolidação e gerenciamento de multidões de trabalhadores como trabalhadores just-in-time. Essa condição do trabalho envolve um novo tipo generalizável de remuneração por peça que conserva sua centralidade nas formas de exploração capitalistas, mas atualiza seus elementos, demandando a compreensão das permanências, transformações e tendências que se desenham no presente ou como futuro possível e provável do trabalho.

ABÍLIO, L. C. et al. “Uberização e plataformização do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas”. Sociologias, v. 23, n. 57, 2021.

A expressão just-in-time, destacada no texto, refere-se, no contexto da discussão, a uma modalidade de trabalho

  1. A
    com escala fixa.
  2. B
    filantrópico.
  3. C
    híbrido.
  4. D
    sob proteção legal.
  5. E
    sob demanda.
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Resolução comentada

Just-in-time vem do toyotismo: produzir só quando e na quantidade que a demanda pede, sem estoque. Aplicado ao trabalho, significa usar o trabalhador apenas no momento em que há serviço, e pagar só por esse serviço.

O texto dá as pistas dessa ideia:

  1. A uberização é descrita como "transferência de riscos e custos para os trabalhadores", ou seja, a empresa não arca com o tempo ocioso.
  2. O elemento central da uberização é a gestão de "multidões de trabalhadores" just-in-time, disponíveis para serem acionados quando necessário.
  3. Essa condição é ligada a "um novo tipo generalizável de remuneração por peça": o trabalhador recebe por tarefa realizada (corrida, entrega), e não por jornada.

Juntando os pontos, o trabalho just-in-time é aquele acionado conforme a demanda do momento, isto é, trabalho sob demanda.

As demais opções contradizem o texto: o trabalho não tem escala fixa, não é voluntário nem filantrópico, e o texto fala em "eliminação de direitos", o que exclui proteção legal. "Híbrido" refere-se a presencial e remoto, assunto que o texto não trata.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Aescala fixa é o oposto da lógica just-in-time, em que o trabalhador é acionado conforme a demanda e paga por peça.
  • Bo trabalho é remunerado e central à exploração capitalista, nada tem de filantrópico.
  • Chíbrido (presencial e remoto) não é o sentido da expressão nem o tema do texto.
  • Do texto fala em eliminação de direitos, não em proteção legal.

Assuntos: uberização, trabalho just-in-time, flexibilização do trabalho.

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