Questão 87 da FUVEST 2025

1ª fase

Tecidos de Ijebu

“Os ijebus vestem-se quase sempre com panos produzidos por eles próprios. São fazendas de algodão, matéria-prima que obtêm localmente. Nas famílias, as tarefas de colher algodão, fiá-lo, tecê-lo e tingi-lo estão costumeiramente a cargo das mulheres, e sabe-se ser muito grande a quantidade de tecidos manufaturados em Ijebu e dali exportados, não apenas para os países vizinhos, mas até mesmo para o Brasil, cujos navios vêm buscar em Lagos essa mercadoria tão apreciada pela gente de origem africana transplantada para aquela terra distante. As cores mais comuns, depois da branca e da azul, são a amarela, a vermelha, a carmesim e a verde. Alguns panos são de uma só cor, outros são multicoloridos.”

OSIFEKUNDE. Notícia sobre o país e o povo dos Ijebus. In: COSTA E SILVA, Alberto. Imagens da África. São Paulo: Penguin, 2012. p.361.

O texto é parte de um relato das memórias de um ex-escravizado natural de Ijebu, na atual Nigéria, trazido ao Brasil no início do século XIX. O excerto faz menção

  1. A
    à existência de um comércio de produtos manufaturados entre a África e a América.
  2. B
    à prerrogativa masculina na produção de tecidos naquela região da África.
  3. C
    à baixa qualidade das manufaturas africanas em comparação com as da Europa.
  4. D
    à impossibilidade de acesso, por africanos e afrodescendentes, a produtos vindos da África.
  5. E
    ao comércio de africanos escravizados para o trabalho nas plantações de algodão.
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Resolução comentada

O texto descreve a produção de tecidos de algodão em Ijebu e diz que essa produção é grande e exportada "não apenas para os países vizinhos, mas até mesmo para o Brasil". Os navios brasileiros iam buscar a mercadoria em Lagos, porque era muito apreciada pela população de origem africana no Brasil.

Ou seja, havia um circuito comercial regular de mercadorias manufaturadas: tecidos feitos na África, transportados por navios e vendidos na América.

Confira as alternativas com o que o texto afirma:

  1. A produção é feita pelas mulheres ("a cargo das mulheres"), o que contradiz a ideia de prerrogativa masculina.
  2. Os tecidos são chamados de "tão apreciados" e exportados em grande quantidade, sem comparação com a Europa.
  3. Os afrodescendentes no Brasil apreciavam e consumiam esses tecidos, então tinham acesso a eles.
  4. O texto não trata de tráfico de escravizados; o algodão é cultivado localmente, sem menção a escravizados nas plantações.

Só a primeira leitura, sobre o comércio entre África e Brasil, está no texto.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BO texto diz que colher, fiar, tecer e tingir cabem às mulheres, não aos homens.
  • CNão há comparação com a Europa; o texto destaca a grande procura pelos tecidos.
  • DOs tecidos eram buscados justamente para a população de origem africana no Brasil, que os apreciava.
  • EO excerto não menciona tráfico de escravizados nem trabalho em plantações de algodão.

Assuntos: comércio atlântico, África pré-colonial, interpretação de fonte histórica.

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