Questão 3 da FUVEST 2025

Jean Galvão. Disponível em https://cartum.folha.uol.com.br/.
Considerando a charge, é correto afirmar:
- AHá uma incoerência entre a imagem do segundo quadro e o enunciado verbal do primeiro quadro, uma vez que a posposição do adjunto adverbial “na água” anula qualquer ambiguidade.
- BAo antecipar o objeto direto “o mercúrio” para o começo da oração, o chargista chama a atenção para esse elemento, estimulando o leitor a buscá-lo visualmente no segundo quadro.
- CPor meio da escolha do verbo “descartar”, mostra-se, de forma crítica, a necessidade da criação de um local correto para o depósito dos rejeitos provenientes do garimpo ilegal.
- DO uso da forma pronominal informal “a gente”, em detrimento do pronome “nós”, empregado em situações mais formais e sérias, atenua o teor crítico, o que colabora para gerar efeito humorístico.
- EO significado negativo do prefixo que aparece na palavra “ilegal” reforça a precariedade do atendimento à saúde nas comunidades indígenas.
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Resolução comentada
A charge tem dois quadros. No primeiro, o garimpeiro diz: "O mercúrio a gente descarta na água." No segundo, ele despeja o mercúrio na panela de água que os indígenas usam para cozinhar. O humor crítico vem da ambiguidade de "na água": no primeiro quadro parece ser o rio, e no segundo é a água de consumo da aldeia.
Agora, cada alternativa:
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Em (A), o adjunto adverbial "na água" continua ambíguo, porque "água" pode ser o rio ou a panela. Ele não anula a ambiguidade, e a imagem completa a fala em vez de contradizê-la.
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Em (B), a ordem da frase é "O mercúrio a gente descarta". O objeto direto "o mercúrio" está deslocado para o início, e isso o põe em destaque (topicalização). Com o mercúrio em foco, o leitor procura por ele no segundo quadro e o encontra na panela. Essa leitura combina texto e imagem.
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Em (C), "descartar" mostra o descaso do garimpeiro, não a necessidade de um depósito adequado. A charge denuncia a contaminação, e não propõe solução.
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Em (D), "a gente" é informal, mas a crítica não é atenuada. O tom coloquial deixa a fala mais cínica e reforça a crítica.
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Em (E), o prefixo "in-" ("ilegal", com assimilação) nega a legalidade do garimpo. Ele não tem relação com o atendimento à saúde.
Portanto, o deslocamento do objeto direto conduz o olhar do leitor ao mercúrio no segundo quadro.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO adjunto "na água" mantém a ambiguidade (rio ou panela); a imagem a explora, não a contradiz.
- C"Descartar" revela descaso com a contaminação; a charge não trata de criar local de depósito de rejeitos.
- DO "a gente" coloquial não atenua a crítica; reforça o cinismo do garimpeiro.
- EO prefixo de "ilegal" nega a legalidade do garimpo e não se refere à saúde indígena.
Assuntos: interpretação de charge, ordem da oração, ambiguidade.
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