Questão 3 da FUVEST 2025

1ª fase

Charge de Jean Galvão em dois quadros. No primeiro, sob o título “GARIMPO ILEGAL”, dois garimpeiros trabalham com bateias na água. Um deles diz: “O mercúrio a gente descarta na água.” No segundo, um garimpeiro despeja o conteúdo de uma bateia em uma panela com água sobre uma fogueira, dentro de uma habitação indígena. Ao lado, duas crianças indígenas trabalham com fibras vegetais. A assinatura “jean galvão” aparece no canto inferior direito.

Jean Galvão. Disponível em https://cartum.folha.uol.com.br/.

Considerando a charge, é correto afirmar:

  1. A
    Há uma incoerência entre a imagem do segundo quadro e o enunciado verbal do primeiro quadro, uma vez que a posposição do adjunto adverbial “na água” anula qualquer ambiguidade.
  2. B
    Ao antecipar o objeto direto “o mercúrio” para o começo da oração, o chargista chama a atenção para esse elemento, estimulando o leitor a buscá-lo visualmente no segundo quadro.
  3. C
    Por meio da escolha do verbo “descartar”, mostra-se, de forma crítica, a necessidade da criação de um local correto para o depósito dos rejeitos provenientes do garimpo ilegal.
  4. D
    O uso da forma pronominal informal “a gente”, em detrimento do pronome “nós”, empregado em situações mais formais e sérias, atenua o teor crítico, o que colabora para gerar efeito humorístico.
  5. E
    O significado negativo do prefixo que aparece na palavra “ilegal” reforça a precariedade do atendimento à saúde nas comunidades indígenas.
Reportar erro na questão
O que está errado?
Sem cadastro: não guardamos quem enviou.
Resolução comentada

A charge tem dois quadros. No primeiro, o garimpeiro diz: "O mercúrio a gente descarta na água." No segundo, ele despeja o mercúrio na panela de água que os indígenas usam para cozinhar. O humor crítico vem da ambiguidade de "na água": no primeiro quadro parece ser o rio, e no segundo é a água de consumo da aldeia.

Agora, cada alternativa:

  1. Em (A), o adjunto adverbial "na água" continua ambíguo, porque "água" pode ser o rio ou a panela. Ele não anula a ambiguidade, e a imagem completa a fala em vez de contradizê-la.

  2. Em (B), a ordem da frase é "O mercúrio a gente descarta". O objeto direto "o mercúrio" está deslocado para o início, e isso o põe em destaque (topicalização). Com o mercúrio em foco, o leitor procura por ele no segundo quadro e o encontra na panela. Essa leitura combina texto e imagem.

  3. Em (C), "descartar" mostra o descaso do garimpeiro, não a necessidade de um depósito adequado. A charge denuncia a contaminação, e não propõe solução.

  4. Em (D), "a gente" é informal, mas a crítica não é atenuada. O tom coloquial deixa a fala mais cínica e reforça a crítica.

  5. Em (E), o prefixo "in-" ("ilegal", com assimilação) nega a legalidade do garimpo. Ele não tem relação com o atendimento à saúde.

Portanto, o deslocamento do objeto direto conduz o olhar do leitor ao mercúrio no segundo quadro.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO adjunto "na água" mantém a ambiguidade (rio ou panela); a imagem a explora, não a contradiz.
  • C"Descartar" revela descaso com a contaminação; a charge não trata de criar local de depósito de rejeitos.
  • DO "a gente" coloquial não atenua a crítica; reforça o cinismo do garimpeiro.
  • EO prefixo de "ilegal" nega a legalidade do garimpo e não se refere à saúde indígena.

Assuntos: interpretação de charge, ordem da oração, ambiguidade.

Reportar erro na resolução
O que está errado?
Sem cadastro: não guardamos quem enviou.
Ver como caiu na prova Questão 3 no caderno V1 da FUVEST 2025