Questão 37 da FUVEST 2024
A respeito dos contos “Nós matamos o Cão Tinhoso!”, “Dina”, “Papá, cobra e eu” e “Nhinguitimo”, de Nós matamos o Cão Tinhoso!, é possível afirmar:
- AOs narradores e os protagonistas são crianças.
- BSão narrados em primeira pessoa, por narradores-protagonistas.
- COs protagonistas são oprimidos socialmente, e a reação deles não é endereçada aos opressores.
- DSão fábulas, e os protagonistas são animais.
- EO espaço representado é o das grandes cidades moçambicanas.
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Resolução comentada
Os quatro contos de Luís Bernardo Honwana se passam na Moçambique colonial e mostram personagens marcadas pela opressão do sistema colonial e racista.
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Narrador e protagonista. Os contos têm narradores-crianças, em primeira pessoa, mas nem sempre o protagonista é quem narra. Em "Dina" e em "Nhinguitimo", o menino observa e conta a história de outras pessoas, que são adultas. Isso derruba as alternativas A e B, que generalizam.
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Gênero. Não são fábulas. São contos realistas, e o "Cão Tinhoso" é só o bicho que os meninos matam, não um protagonista-animal com moral.
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Espaço. O cenário é o da periferia e do subúrbio colonial, com casas simples, quintais e o mundo dos trabalhadores. Não são grandes cidades, o que descarta a E.
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Opressão e reação. Os protagonistas são oprimidos (crianças submetidas à autoridade, trabalhadores e mulheres colonizados). A revolta deles, porém, não chega aos verdadeiros opressores. No conto-título, os meninos humilhados matam o cão doente, que é ainda mais frágil, em vez de enfrentar o poder que os oprime. É uma violência desviada para o mais fraco. Essa é a leitura da alternativa C.
Alternativa C.
Pegadinha: A e B enganam ao tomar como regra geral o narrador-criança em primeira pessoa, quando o protagonista muitas vezes é outra pessoa.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AOs narradores são crianças, mas nem todos os protagonistas são; em "Dina" e "Nhinguitimo" eles são adultos.
- BNem sempre o narrador é o protagonista; em alguns contos ele apenas observa e conta a história de outros.
- DNão são fábulas, e sim contos realistas de crítica social; os protagonistas não são animais.
- EO espaço é o da periferia e do subúrbio colonial, não o das grandes cidades.
Assuntos: literatura moçambicana, Luís Bernardo Honwana, opressão colonial.
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