Questão 27 da FUVEST 2017

1ª fase

Os ensaios sediciosos do final do século XVIII anunciam a erosão de um modo de vida. A crise geral do Antigo Regime desdobra-se nas áreas periféricas do sistema atlântico – pois é essa a posição da América portuguesa –, apontando para a emergência de novas alternativas de ordenamento da vida social.

István Jancsó, “A Sedução da Liberdade”. In: Fernando Novais,
História da Vida Privada no Brasil, v.1.
São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.

A respeito das rebeliões contra o poder colonial português na América, no período mencionado no texto, é correto afirmar que,

  1. A
    em 1789 e 1798, diferentemente do que se dera com as revoltas anteriores, os sediciosos tinham o claro propósito de abolir o tráfico transatlântico de escravos para o Brasil.
  2. B
    da mesma forma que as contestações ocorridas no Maranhão em 1684, a sedição de 1798 teve por alvo o monopólio exercido pela companhia exclusiva de comércio que operava na Bahia.
  3. C
    em 1789 e 1798, tal como ocorrera na Guerra dos Mascates, os sediciosos esperavam contar com o suporte da França revolucionária.
  4. D
    tal como ocorrera na Guerra dos Emboabas, a sedição de 1789 opôs os mineradores recém-chegados à capitania aos empresários há muito estabelecidos na região.
  5. E
    em 1789 e 1798, seus líderes projetaram a possibilidade de rompimento definitivo das relações políticas com a metrópole, diferentemente do que ocorrera com as sedições anteriores.
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Resolução comentada

O texto trata dos "ensaios sediciosos" do final do século XVIII: a Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798). A questão pede o que as distingue das revoltas coloniais anteriores.

As revoltas anteriores, como a de Beckman (Maranhão, 1684), os Emboabas (1707-09), os Mascates (1710-11) e Filipe dos Santos (1720), eram reações localizadas. Contestavam medidas específicas (monopólio comercial, impostos, privilégios de grupos locais) e, em geral, não questionavam a soberania do rei nem propunham separar a colônia de Portugal.

Já em 1789 e 1798, sob influência do Iluminismo, da independência dos EUA e da Revolução Francesa, os conjurados planejaram romper com a metrópole e instaurar uma república. Foi o que a crise do Antigo Regime tornou possível, como diz o texto: "novas alternativas de ordenamento da vida social".

Conferindo as demais:

  • (A) só a Conjuração Baiana atacou a escravidão, e nenhuma das duas visava ao fim do tráfico.
  • (B) a Companhia de Comércio do Estado do Maranhão ficava no Maranhão, não na Bahia, e em 1798 o alvo não era ela.
  • (C) a Guerra dos Mascates não contou com apoio francês.
  • (D) a Inconfidência foi motivada pela derrama, não por disputa entre grupos de mineradores.

Portanto, só (E) descreve corretamente a novidade dessas conjurações.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA Inconfidência não visava abolir o tráfico, e a Conjuração Baiana só propôs o fim da escravidão, não do tráfico especificamente.
  • BA companhia de comércio de 1684 atuava no Maranhão, não na Bahia, e a sedição de 1798 não tinha esse alvo.
  • CA Guerra dos Mascates foi disputa local entre Olinda e Recife, sem expectativa de apoio francês.
  • DA Inconfidência Mineira reagiu à derrama e ao fisco; a oposição entre recém-chegados e antigos moradores é dos Emboabas.

Assuntos: inconfidência mineira, conjuração baiana, revoltas coloniais.

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