Questão 79 da FUVEST 2016

1ª fase

Caricatura de Jacques-Louis David, intitulada "Governo inglês – o inglês nascido livre" (1794), retratando um monstro esquelético alado que usa coroa e segura um cetro/tridente, expelindo rajadas de fumaça pela parte traseira contra uma multidão de homens que fogem aterrorizados.

A imagem pode ser corretamente lida como uma

  1. A
    defesa do mercantilismo e do protecionismo comercial ingleses, ameaçados pela cobiça de outros impérios, sobretudo o francês.
  2. B
    crítica à monarquia inglesa, vista, no contexto da expansão revolucionária francesa, como opressora da própria sociedade inglesa.
  3. C
    alegoria das pretensões francesas sobre a Inglaterra, já que Napoleão Bonaparte era frequentemente considerado, pela burguesia, um líder revolucionário ateu.
  4. D
    apologia da monarquia e da igreja inglesas, contrárias à laicização da política e dos costumes típicos da Europa da época.
  5. E
    propaganda de setores comerciais ingleses, defensores dos monopólios comerciais e contrários ao livre-cambismo que, à época, ganhava força no país.
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Resolução comentada

A caricatura é de 1794, em plena Revolução Francesa, e o autor, Jacques-Louis David, era jacobino e apoiava a Revolução. O título é irônico: "o inglês nascido livre" remete à ideia de que os ingleses eram livres por tradição, mas a imagem mostra o contrário.

O que a figura traz:

  1. Um monstro esquelético, alado e coroado, que representa o governo e a monarquia inglesa. A coroa e o cetro em forma de tridente indicam o poder real.
  2. Ele expele fumaça e gases contra uma multidão de homens comuns, que fogem apavorados. Esses homens são o povo inglês, e o monarca é mostrado como opressor dele.
  3. O contexto: a Inglaterra de George III, em guerra contra a França revolucionária, reprimia a imprensa e os simpatizantes do radicalismo e suspendeu o habeas corpus em 1794. A propaganda francesa aproveitava isso para dizer que a liberdade inglesa era uma farsa.

Assim, a imagem critica a monarquia inglesa, apresentada como opressora da própria sociedade, no quadro da expansão do ideário revolucionário francês.

Não há defesa de monopólios, mercantilismo ou da Igreja: o monstro é o alvo da crítica. E Napoleão ainda não era líder em 1794.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA imagem não defende o mercantilismo; o monstro é a crítica ao governo inglês, e não há cobiça de outros impérios.
  • CNapoleão não aparece e ainda não era o líder em 1794; a figura representa o governo inglês, não pretensões francesas.
  • DInverte o sentido: a caricatura ataca a monarquia em vez de fazer apologia dela e da Igreja.
  • ENão trata de monopólios nem de livre-cambismo; o tema é a opressão política sobre o povo inglês.

Assuntos: revolução francesa, caricatura política, monarquia inglesa.

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