Questão 2 da FUVEST 2015

1ª fase

Em certos aspectos, os gregos da Antiguidade foram sempre um povo disperso. Penetraram em pequenos grupos no mundo mediterrânico e, mesmo quando se instalaram e acabaram por dominá-lo, permaneceram desunidos na sua organização política. No tempo de Heródoto, e muito antes dele, encontravam-se colônias gregas não somente em toda a extensão da Grécia atual, como também no litoral do Mar Negro, nas costas da atual Turquia, na Itália do sul e na Sicília oriental, na costa setentrional da África e no litoral mediterrânico da França. No interior desta elipse de uns 2500 km de comprimento, encontravam-se centenas e centenas de comunidades que amiúde diferiam na sua estrutura política e que afirmaram sempre a sua soberania. Nem então nem em nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve uma nação, um território nacional único regido por uma lei soberana, que se tenha chamado Grécia (ou um sinônimo de Grécia).

M. I. Finley. O mundo de Ulisses. Lisboa: Editorial Presença, 1972. Adaptado.

Com base no texto, pode-se apontar corretamente

  1. A
    a desorganização política da Grécia antiga, que sucumbiu rapidamente ante as investidas militares de povos mais unidos e mais bem preparados para a guerra, como os egípcios e macedônios.
  2. B
    a necessidade de profunda centralização política, como a ocorrida entre os romanos e cartagineses, para que um povo pudesse expandir seu território e difundir sua produção cultural.
  3. C
    a carência, entre quase todos os povos da Antiguidade, de pensadores políticos, capazes de formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder político.
  4. D
    a inadequação do uso de conceitos modernos, como nação ou Estado nacional, no estudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de organização social e política.
  5. E
    a valorização, na Grécia antiga, dos princípios do patriotismo e do nacionalismo, como forma de consolidar política e economicamente o Estado nacional.
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Resolução comentada

O texto de Finley diz que os gregos formaram centenas de comunidades espalhadas pelo Mediterrâneo, cada uma com estrutura política própria e soberania própria. Nunca existiu uma "nação" ou um "território nacional único" chamado Grécia, regido por uma lei soberana.

A ideia central é que a Grécia antiga era um conjunto de cidades-Estado (pólis) independentes. Não era um Estado nacional unificado, como os que surgiram na Época Moderna.

Consequência: aplicar à Grécia antiga conceitos como nação, Estado nacional, patriotismo ou nacionalismo é um anacronismo, ou seja, projetar no passado categorias que só fazem sentido em outra época.

Avaliando as alternativas:

  1. O texto não fala de derrota militar, nem cita egípcios ou macedônios.
  2. Ele não defende centralização como condição de expansão. Mostra o contrário: os gregos se expandiram sem unidade política.
  3. Ele não trata da falta de pensadores políticos na Antiguidade.
  4. Ele afirma justamente que não havia nação nem território nacional, então a alternativa de conceitos modernos inadequados é coerente.
  5. O nacionalismo grego não aparece no texto e contradiria a ideia de comunidades soberanas e desunidas.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto não menciona derrota militar nem egípcios e macedônios; apenas destaca a desunião política.
  • BAfirma uma necessidade de centralização que o texto não defende; os gregos se expandiram sem ela.
  • CGeneraliza sobre pensadores políticos da Antiguidade, tema ausente do texto.
  • EAtribui nacionalismo e Estado nacional à Grécia, o oposto do que o texto afirma.

Assuntos: grécia antiga, pólis, anacronismo.

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