Questão 18 da FUVEST 2015

1ª fase

Considere os mapas sobre a produção de leite no Brasil.

Três mapas do Brasil mostrando a evolução da produção de leite nos anos de 1940, 1975 e 2006. A legenda indica quatro faixas de quantidade produzida (em 1.000.000 litros): de 0 a 150 (branco), de 150 a 1000 (cinza claro), de 1000 a 2000 (cinza médio) e acima de 2000 (cinza escuro). Em 1940, a maior parte do país está na faixa mais baixa, com apenas RS, SP e MG na faixa de 150 a 1000. Em 1975, MG atinge produção acima de 2000, SP está entre 1000 e 2000, e outros estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste alcançam 150 a 1000. Em 2006, RS, MG e GO produzem acima de 2000; PR e SP entre 1000 e 2000; e grande parte dos demais estados (incluindo RO, MT, MS, BA, PA, MA, CE) passa para a faixa de 150 a 1000.

IBGE. Atlas do Espaço Rural Brasileiro, 2011.

Com base nos mapas e em seus conhecimentos, é correto afirmar que a produção de leite no Brasil, no período retratado,

  1. A
    cresceu na região Nordeste, devido à substituição das plantações de algodão, na Zona da Mata, pelos rebanhos leiteiros.
  2. B
    avançou em direção aos estados do Norte e do Centro-Oeste, em função da predominância, nessas regiões, de climas mais secos.
  3. C
    consolidou a hegemonia de Minas Gerais, graças à alta produtividade alcançada com o melhoramento genético dos rebanhos no Vale do Jequitinhonha.
  4. D
    aumentou, tanto em quantidade produzida quanto em número de estados produtores, graças, em grande parte, ao crescimento do consumo interno.
  5. E
    abarcou todo o território nacional, excetuando-se os estados recobertos pela floresta amazônica, devido à presença de unidades de conservação.
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Resolução comentada

Os mapas comparam três anos e mostram duas mudanças: os estados passam para faixas mais altas de produção, e cada vez mais estados entram nas faixas acima de 150 milhões de litros.

  1. Em 1940, só MG, SP e RS estavam na faixa de 150 a 1000. O resto do país ficava na faixa mais baixa.
  2. Em 1975, MG passa de 2000, SP entra na faixa de 1000 a 2000, e GO, BA, CE e os estados do Sul ficam na faixa de 150 a 1000.
  3. Em 2006, RS, MG e GO ultrapassam 2000. PR e SP ficam entre 1000 e 2000. Norte, Nordeste e Centro-Oeste (RO, MT, MS, PA, MA, BA etc.) chegam à faixa de 150 a 1000.

Portanto, a produção cresceu em volume e se espalhou por mais estados. A causa mais plausível é o crescimento do consumo interno, com urbanização, aumento da população e da renda e expansão dos laticínios. Isso confere com a alternativa D.

As demais trazem dados que os mapas não sustentam. A produção não avançou por causa de clima seco. O Vale do Jequitinhonha não é a área de melhoramento genético que explica a liderança de MG. A produção também não abrangeu todo o território menos os estados amazônicos, pois PA e RO aparecem com produção.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AOs mapas não mostram substituição do algodão da Zona da Mata; o Nordeste tem crescimento modesto e a causa citada não é apoiada.
  • BAtribui a expansão ao clima seco, que não explica a pecuária leiteira; além disso, o leite avançou sobretudo no Centro-Oeste e só em parte do Norte.
  • CMG de fato lidera, mas o Vale do Jequitinhonha, pobre e semiárido, não é a área de alta produtividade que explica isso.
  • EErra ao afirmar que os estados amazônicos ficaram de fora (PA e RO aparecem com produção) e ao atribuir isso a unidades de conservação.

Assuntos: pecuária leiteira, interpretação de mapas, geografia agrária do Brasil.

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