Questão 55 da FUVEST 2014
O local e o global determinam-se reciprocamente, umas vezes de modo congruente e consequente, outras de modo desigual e desencontrado. Mesclam-se e tensionam-se singularidades, particularidades e universalidades. Conforme Anthony Giddens, “A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo dialético porque tais acontecimentos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam. A transformação local é, assim, uma parte da globalização”.
Octávio Ianni, Estudos Avançados. USP. São Paulo, 1994. Adaptado.
Neste texto, escrito no final do século XX, o autor refere-se a um processo que persiste no século atual. A partir desse texto, pode-se inferir que esse processo leva à
- Apadronização da vida cotidiana.
- Bmelhor distribuição de renda no planeta.
- Cintensificação do convívio e das relações afetivas presenciais.
- Dmaior troca de saberes entre gerações.
- Eretração do ambientalismo como reação à sociedade de consumo.
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Resolução comentada
O texto define globalização como a intensificação das relações sociais em escala mundial, ligando lugares distantes de modo que o que acontece em um local é moldado por eventos muito distantes, e vice-versa. O autor diz que o processo é dialético: os acontecimentos locais podem ir em direção oposta às forças globais que os modelam. Ou seja, o local e o global se influenciam, ora de modo congruente, ora de modo desencontrado, e singularidades, particularidades e universalidades se misturam e entram em tensão.
A pergunta pede o que o processo leva a, com base no texto. Vamos testar as alternativas:
- Se o global moldasse o local de forma unilateral, haveria padronização. Mas o texto afirma que o local pode reagir em sentido inverso e que singularidades e particularidades persistem. Isso derruba a ideia de uma padronização total.
- O texto não trata de renda, de convívio presencial, de relação entre gerações nem de ambientalismo.
- O que sobra é a ideia de que a vida cotidiana local passa a ser modelada por eventos e relações distantes. Ela tende, portanto, a se uniformizar em parte, ao receber influências globais semelhantes em lugares distintos, mesmo havendo tensões e resistências locais. Entre as opções, é a única que se relaciona ao conteúdo do texto: a interferência do global no cotidiano local.
Portanto, a inferência mais coerente é a da padronização da vida cotidiana.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO texto não fala de renda; a globalização não garante melhor distribuição, e nada no trecho sugere isso.
- CRelações a distância entre localidades distantes não implicam mais convívio e afeto presenciais; o texto não trata disso.
- DTroca de saberes entre gerações é tema estranho ao texto, que fala de relações entre o local e o global.
- EO texto não menciona ambientalismo nem sociedade de consumo; nada indica retração do ambientalismo.
Assuntos: globalização, relação local-global.
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