Questão 81 da FUVEST 2013
Leia o seguinte texto.
O autor pensava estar romanceando o processo brasileiro de guerra e acomodação entre as raças, em conformidade com as teorias racistas da época, mas, na verdade, conduzido pela lógica da ficção, mostrava um processo primitivo de exploração econômica e formação de classes, que se encaminhava de um modo passavelmente bárbaro e desmentia as ilusões do romancista.
Roberto Schwarz. Adaptado.
Esse texto crítico refere-se ao livro
- AMemórias de um sargento de milícias.
- BTil.
- CO cortiço.
- DVidas secas.
- ECapitães da areia.
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Resolução comentada
O trecho de Roberto Schwarz fala de um autor que, influenciado pelas teorias racistas do fim do século XIX (determinismo, darwinismo social, a ideia de "guerra entre as raças"), pretendia retratar cientificamente o meio brasileiro. Porém, pela lógica interna da narrativa, o romance acaba expondo outra coisa: a exploração econômica e a formação de classes.
Isso descreve o Naturalismo de Aluísio Azevedo em O cortiço (1890). Veja como o texto se encaixa:
- Teorias da época: o livro adota o determinismo do meio e da raça, por exemplo na oposição entre o português e a mulata Rita Baiana, que "abrasileira" João Romão e Jerônimo.
- Processo de exploração econômica: João Romão enriquece explorando o trabalho de Bertoleza, que ele engana e empurra de volta à escravidão, e cobrando aluguel de moradores miseráveis no cortiço.
- Formação de classes: o cortiço cresce ao lado do sobrado de Miranda, e João Romão ascende socialmente, inclusive pelo casamento. A "acomodação entre as raças" mostra-se, na prática, acumulação capitalista violenta.
As outras obras não combinam: Memórias de um sargento de milícias é romance de costumes de 1853, sem teses raciais. Til é romance regionalista romântico. Vidas secas e Capitães da areia são do século XX e não seguem teorias racistas.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ARomance de costumes romântico (1853), anterior às teorias racistas e ao Naturalismo.
- BRomance regionalista de José de Alencar, de tom romântico, sem as teses raciais deterministas citadas.
- DObra modernista de 1938 sobre a seca no Nordeste, que não segue teorias raciais.
- ERomance de 1937 sobre meninos de rua na Bahia, de crítica social, sem ligação com o racismo científico.
Assuntos: naturalismo, o cortiço, literatura brasileira.
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