Questão 54 da FUVEST 2013

1ª fase

Fosse com militares ou civis, a África esteve por vários anos entregue a ditadores. Em alguns países, vigorava uma espécie de semidemocracia, com uma oposição consentida e controlada, um regime que era, em última análise, um governo autoritário. A única saída para os insatisfeitos e também para aqueles que tinham ambições de poder passou a ser a luta armada. Alguns países foram castigados por ferozes guerras civis, que, em certos casos, foram alongadas por interesses extracontinentais.

Alberto da Costa e Silva. A África explicada aos meus filhos.
Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 139.

Entre os exemplos do alongamento dos conflitos internos nos países africanos em função de “interesses extracontinentais”, a que se refere o texto, pode-se citar a participação

  1. A
    da Holanda e da Itália na guerra civil do Zaire, na década de 1960, motivada pelo controle sobre a mineração de cobre na região.
  2. B
    dos Estados Unidos na implantação do apartheid na África do Sul, na década de 1970, devido às tensões decorrentes do movimento pelos direitos civis.
  3. C
    da França no apoio à luta de independência na Argélia e no Marrocos, na década de 1950, motivada pelo interesse em controlar as reservas de gás natural desses países.
  4. D
    da China na luta pela estabilização política no Sudão e na Etiópia, na década de 1960, motivada pelas necessidades do governo Mao Tse-Tung em obter fornecedores de petróleo.
  5. E
    da União Soviética e Cuba nas guerras civis de Angola e Moçambique, na década de 1970, motivada pelas rivalidades e interesses geopolíticos característicos da Guerra Fria.
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Resolução comentada

O texto fala de guerras civis africanas que duraram mais por causa de "interesses extracontinentais", isto é, de potências de fora da África. O exemplo clássico são as disputas da Guerra Fria.

Angola e Moçambique se tornaram independentes de Portugal em 1975, depois da Revolução dos Cravos. Em seguida, cada país mergulhou numa longa guerra civil entre grupos rivais:

  1. Em Angola, o MPLA (marxista) governava com apoio da União Soviética e de tropas cubanas. A UNITA e a FNLA eram apoiadas pelos EUA e pela África do Sul.
  2. Em Moçambique, a FRELIMO (marxista) era apoiada pelo bloco soviético. A RENAMO recebia apoio da Rodésia e da África do Sul.

Assim, a rivalidade entre capitalismo e socialismo alimentou e prolongou esses conflitos. Isso corresponde exatamente à alternativa E.

As demais apresentam fatos trocados: o apartheid foi criado em 1948 pelo governo sul-africano, e não pelos EUA. A Argélia lutou contra a França, e não com o apoio dela. Holanda e Itália não foram os atores principais no Congo.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ANa crise do Congo (Zaire) dos anos 1960, os atores externos principais foram Bélgica, EUA e URSS, não Holanda e Itália.
  • BO apartheid foi implantado em 1948 pelo governo sul-africano, não pelos EUA, e não nos anos 1970.
  • CA França era a metrópole colonial e combateu a independência da Argélia, em vez de apoiá-la.
  • DA China não teve papel de estabilização no Sudão e na Etiópia, e o petróleo não explica essa suposta participação.

Assuntos: guerra fria na áfrica, descolonização africana.

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