Questão 52 da FUVEST 2013
Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que não extingui, naquele instante, a centelha de vida que você tão desumanamente me concedeu? Não sei! O desespero ainda não se apoderara de mim. Meus sentimentos eram de raiva e vingança. Quando a noite caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...) Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar-me e contemplar satisfeito a destruição. Declarei uma guerra sem quartel à espécie humana e, acima de tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a esta insuportável desgraça!
Mary Shelley. Frankenstein. 2ª ed. Porto Alegre: LPM, 1985.
O trecho acima, extraído de uma obra literária publicada pela primeira vez em 1818, pode ser lido corretamente como uma
- Aapologia à guerra imperialista, incorporando o desenvolvimento tecnológico do período.
- Bcrítica à condição humana em uma sociedade industrializada e de grandes avanços científicos.
- Cdefesa do clericalismo em meio à crescente laicização do mundo ocidental.
- Drecusa do evolucionismo, bastante em voga no período.
- Eadesão a ideias e formulações humanistas de igualdade social.
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Resolução comentada
O trecho é da fala da criatura de Frankenstein, romance de 1818, período da Revolução Industrial e do Romantismo, com ciência e técnica em grande avanço. A criatura, criada por Victor Frankenstein, amaldiçoa o criador por lhe dar a vida e a abandonar no sofrimento.
O enredo funciona como uma alegoria: o cientista ousa manipular a vida, mas não assume a responsabilidade pelo que criou. O resultado é dor, revolta e violência, o que leva a uma leitura crítica dos rumos da ciência e da condição humana numa sociedade que se industrializa.
Analisando as alternativas:
- Não há elogio à guerra imperialista. A "guerra" citada é a vingança pessoal da criatura contra a humanidade e contra o criador.
- Não há defesa da Igreja nem discussão sobre laicização. A palavra "criador" remete ao cientista, não a Deus.
- O evolucionismo aparece só a partir de Darwin, em 1859. Isso é posterior à obra, e o texto não trata do assunto.
- O texto exprime desespero e ódio, não uma defesa de ideias humanistas de igualdade social.
Sobra a leitura crítica sobre a condição humana e os avanços científicos da sociedade industrial.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA guerra citada é a vingança da criatura, não uma apologia ao imperialismo nem ao desenvolvimento tecnológico bélico.
- CO trecho não defende a Igreja nem trata de laicização; "criador" refere-se ao cientista.
- DO evolucionismo (Darwin, 1859) é posterior a 1818 e não é tema do trecho.
- EO trecho mostra revolta e ódio, não a defesa de igualdade social humanista.
Assuntos: Frankenstein, Romantismo, ciência e sociedade industrial.
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