Questão 57 da FUVEST 2011
— Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta!
— Não entra! Não entra! repercutiu a multidão em coro.
E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo.
— Aguenta! Aguenta!
Aluísio Azevedo, O cortiço, 1890, parte X.
O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo
- Arepresenta as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da escravidão e o difícil convívio entre ex-escravos, imigrantes e poder público.
- Bdefende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de manter a tranquilidade e a harmonia social após as lutas pela consolidação do novo regime.
- Cdenuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro.
- Dvaloriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população brasileira.
- Eapresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os marginalizaram.
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Resolução comentada
O cortiço (1890) é um romance naturalista ambientado no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. Ele mostra a cidade que crescia e se transformava, com habitações coletivas e pobres, e retrata a convivência, nem sempre pacífica, de grupos sociais distintos.
No romance há portugueses enriquecidos, como João Romão e Miranda, imigrantes pobres, brasileiros pobres e ex-escravos. Todos dividem o espaço do cortiço São Romão, e a escravidão ainda pesa sobre a vida dessas pessoas, embora a obra seja publicada pouco depois da abolição (1888).
O trecho mostra a multidão do cortiço se unindo contra a polícia, que representa o poder público. Isso ilustra a tensão entre moradores pobres, de origens variadas, e o Estado.
Análise das alternativas:
- A obra não defende a monarquia nem trata da consolidação da República. Isso elimina B.
- O problema do texto não é a falta de policiamento, e a elite paulista não aparece no enredo. Isso elimina C.
- O cortiço não é morro nem periferia, e o narrador não apresenta a revolta como exemplo a ser seguido. Isso elimina D.
- O romance não culpa o imigrante pelos males sociais, e o retrato é naturalista, não uma tese contra a imigração. Isso elimina E.
A alternativa A resume bem a obra: transformações urbanas no Rio, ex-escravos, imigrantes e a relação conflituosa com o poder público.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO romance não defende a monarquia nem trata da consolidação da República; o foco é a vida no cortiço.
- CNão há denúncia de falta de policiamento nem menção à elite cafeicultora paulista como causa dos problemas.
- DO cortiço não é morro nem periferia, e a obra não propõe a revolta como exemplo para outros explorados.
- EO romance não atribui os males sociais à imigração; a tese é inventada e distorce o retrato naturalista.
Assuntos: o cortiço, naturalismo, literatura brasileira.
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