Questão 13 da FUVEST 2009

1ª fase

Texto para as questões de 12 a 14

Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia – o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua.

João do Rio. A alma encantadora das ruas.

No texto, observa-se que o narrador se

  1. A
    equipara ao leitor, por meio de sentimentos diversos como o amor, o ódio e o egoísmo.
  2. B
    distancia do leitor, porque o amor à rua, assim como o ódio e o egoísmo, é passageiro.
  3. C
    identifica com o leitor, por meio de um sentimento perene, que é o amor à rua.
  4. D
    aproxima do leitor, por meio de sentimentos duradouros como o amor à rua e o ódio à polícia.
  5. E
    afasta do leitor, porque, ao contrário deste, valoriza as coisas fúteis.
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Resolução comentada

A pergunta é sobre a relação que o narrador estabelece com o leitor. Para respondê-la, basta seguir o que o próprio texto afirma.

  1. O narrador declara seu amor pela rua e diz acreditar que esse sentimento "é partilhado por todos vós". Ele se coloca no mesmo plano do leitor.

  2. Em seguida, reforça a aproximação: "Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais". O que une os dois é o amor da rua, e não a dor, os desprazeres, a lei ou a polícia.

  3. O texto diz que esse sentimento é "imperturbável e indissolúvel" e que resiste "às idades e às épocas". Isso o torna perene, isto é, permanente.

  4. Ele contrasta com o que muda: "Tudo se transforma, tudo varia – o amor, o ódio, o egoísmo". Só o amor da rua "persiste e fica".

Portanto, o narrador se identifica com o leitor por meio de um sentimento que não passa com o tempo: o amor à rua. Ficam de fora as alternativas que dizem que ele se afasta do leitor ou que tratam o amor à rua como passageiro, e também as que dizem que o ódio e o egoísmo duram.

Alternativa C.

Pegadinha: A alternativa A engana porque cita os mesmos sentimentos do texto (amor, ódio, egoísmo), mas o texto diz que eles variam; só o amor da rua permanece.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Aamor, ódio e egoísmo são justamente o que varia; o elo entre narrador e leitor é só o amor à rua, que é constante.
  • Bo texto aproxima narrador e leitor, e o amor à rua é o único sentimento que persiste, não o passageiro.
  • Do ódio não é citado como duradouro, e a polícia aparece como algo que não une as pessoas.
  • Eas coisas fúteis são levadas pelos séculos e o narrador não as valoriza; ele se declara igual ao leitor.

Assuntos: interpretação de texto, João do Rio, relação narrador-leitor.

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