Questão 79 da FUVEST 2008
“O livre-comércio é um bem – como a virtude, a santidade e a retidão – a ser amado, admirado, honrado e firmemente adotado, por si mesmo, ainda que todo o resto do mundo ame restrições e proibições, que, em si mesmas, são males – como o vício e o crime – a serem odiados e detestados sob quaisquer circunstâncias e em todos os tempos.”
The Economist, em 1848.
Tendo em vista o contexto histórico da época, tal formulação favorecia particularmente os interesses
- Ado comércio internacional, mas não do inglês.
- Bda agricultura inglesa e da estrangeira.
- Cda indústria inglesa, mas não da estrangeira.
- Dda agricultura e da indústria estrangeiras.
- Edos produtores de todos os países.
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Resolução comentada
Em 1848, a Inglaterra era a "oficina do mundo": primeira potência industrial, com produção barata e em grande escala, e uma marinha e uma rede comercial dominantes. A revista The Economist, porta-voz do liberalismo econômico, defendia o livre-comércio, isto é, o fim de tarifas e restrições alfandegárias.
Pense em quem ganha com isso:
- Uma indústria muito competitiva só tem a ganhar com mercados abertos. Sem tarifas, seus produtos entram em outros países sem barreiras.
- Países menos industrializados precisariam proteger suas indústrias nascentes com tarifas. O livre-comércio as deixaria expostas à concorrência inglesa, que era imbatível.
- Na própria Inglaterra, a abolição das Leis dos Cereais (1846) baixou o preço dos alimentos, o que permitiu pagar salários menores e favoreceu os industriais, em detrimento dos proprietários rurais.
Logo, a formulação favorecia sobretudo a indústria inglesa. A indústria estrangeira, ainda frágil, seria prejudicada pela concorrência. Por isso o trecho fala em "males" das restrições: era um discurso que atendia ao interesse inglês, apresentado como princípio moral universal.
Alternativa C.
Pegadinha: A alternativa E engana ao tomar o discurso universalista do texto ("um bem") pelo resultado real, que favorecia a Inglaterra.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO livre-comércio beneficiava o comércio inglês, dono da maior frota e da maior rede comercial, e não apenas o internacional.
- BA agricultura inglesa foi prejudicada pelo fim das Leis dos Cereais, e a estrangeira não era o foco do interesse inglês.
- DA indústria estrangeira era menos competitiva e sofreria com a concorrência inglesa sem proteção alfandegária.
- EGeneraliza o benefício: produtores de países menos industrializados seriam prejudicados pela abertura.
Assuntos: liberalismo econômico, revolução industrial, imperialismo britânico.
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