Questão 66 da FUVEST 2008

1ª fase

Passados quase cinqüenta anos da publicação de A terra e o homem no Nordeste (Andrade, 1963), novas dinâmicas instalaram-se na região.

A respeito das dinâmicas espaciais do passado e do presente, nas sub-regiões representadas ao lado, é correto afirmar que

Mapa das sub-regiões do Nordeste, com áreas delimitadas e identificadas como Agreste, Sertão e Litoral Setentrional e Litoral e Zona da Mata. Indica o paralelo de 5° S, o Oceano Atlântico e uma escala de 370 km. Abaixo do mapa, consta “Fonte: Andrade, 1963.”.

  1. A
    a Zona da Mata, onde se desenvolveram, no passado colonial, o extrativismo do pau-brasil e a cultura da cana, abriga, hoje, extensas áreas produtoras de grãos, destinados ao mercado externo.
  2. B
    o Agreste, ocupado durante os séculos XVIII e XIX por criadores de gado, manteve a mais rígida estrutura agrária do Nordeste, concentrando, hoje, extensos e improdutivos latifúndios.
  3. C
    o Sertão, devido às suas características físico-naturais e apesar de sucessivas políticas públicas de combate às secas e incentivo ao desenvolvimento agrícola, mantém sua economia restrita a atividades tradicionais.
  4. D
    a Zona da Mata, antes lugar de plantation colonial, escravista, concentra, hoje, a produção industrial regional, distribuída espacialmente na forma de manchas, no entorno de algumas capitais.
  5. E
    o Agreste, caracterizado, no início da colonização, como região de pequena propriedade e de agricultura de subsistência, concentra, hoje, os maiores e mais dinâmicos complexos agroindustriais da região.
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Resolução comentada

A questão pede a dinâmica passada e atual de cada sub-região nordestina, segundo a divisão clássica de Manuel Correia de Andrade (Zona da Mata, Agreste e Sertão).

  1. Zona da Mata (faixa litorânea úmida): foi o palco da plantation açucareira colonial, com latifúndio, monocultura e mão de obra escrava. Hoje abriga as principais metrópoles (Recife, Salvador, Fortaleza) e seus entornos, onde se concentram indústrias, como os polos de Camaçari, Suape e Maracanaú. Essa indústria se distribui em "manchas" ao redor de algumas capitais, e não de modo contínuo. Isso bate com a alternativa D.

  2. Verificando as outras: a produção de grãos para exportação (A) está no Cerrado do oeste baiano e do sul do Maranhão e Piauí, não na Mata. O Agreste (B, E) é zona de transição, marcada por pequenas e médias propriedades, policultura e pecuária leiteira. Não tem os maiores complexos agroindustriais, nem é o local da mais rígida estrutura agrária. No Sertão (C), a economia já não se restringe a atividades tradicionais: há polos de fruticultura irrigada, como Petrolina-Juazeiro, e mineração, o que torna o "restrita" incorreto.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AA produção de grãos para exportação está no Cerrado (oeste baiano, sul do Maranhão e Piauí), não na Zona da Mata.
  • BO Agreste é área de pequenas e médias propriedades e policultura, não de latifúndios improdutivos com a mais rígida estrutura agrária.
  • CO Sertão tem atividades modernas, como a fruticultura irrigada de Petrolina-Juazeiro, então sua economia não é restrita ao tradicional.
  • EOs maiores complexos agroindustriais não estão no Agreste, que é região de transição e de propriedades menores.

Assuntos: regionalização do Nordeste, industrialização brasileira, estrutura agrária.

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