Questão 10 da 2ª fase da FUVEST 2026

Disponível em https://cartum.folha.uol.com.br/charges/.
a) Explique de que maneira a composição imagética se relaciona com o enunciado verbal “crise climática”.
b) Identifique dois recursos conotativos (em especial, figuras de linguagem) empregados na construção do bovino e discuta seu funcionamento para a geração do efeito de crítica na charge.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) O título "Crise Climática" nomeia o problema global, e a imagem mostra uma de suas causas: o desmatamento ligado à pecuária. A charge não representa o clima de forma direta, com calor ou enchentes. Ela mostra a origem do problema. À esquerda está a floresta preservada, com copas densas, aves e uma onça. À direita estão tocos e solo exposto, resultado da devastação. O contraste entre os dois lados mostra o avanço da destruição, e o boi ocupa justamente a fronteira entre eles.
A relação entre texto e imagem é de causa e consequência. A imagem explica o título: a crise climática vem de ações humanas, como a conversão de floresta em pasto. O título dá o tema, e o desenho dá o argumento e a denúncia. Assim, o leitor completa o sentido ao ligar a cena ao problema que o título anuncia.
Resposta: a imagem ilustra uma causa da crise climática, o desmatamento para a pecuária, e o título dá o sentido geral da cena.
b) Dois recursos aparecem na construção do boi.
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Hipérbole: o boi tem proporções gigantescas, muito maiores que as árvores. O exagero visual sugere a dimensão do impacto da pecuária extensiva. O animal passa a ser maior que a própria floresta, que parece frágil diante dele.
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Metáfora: o boi come as árvores como se fossem capim, e a floresta é tratada como pasto. A metáfora mostra a lógica de substituir mata nativa por pastagem. O boi também funciona como metonímia ou símbolo do agronegócio e da pecuária, que representam a atividade econômica por trás do desmatamento.
Há ainda a ironia. O boi tem expressão serena, de olhos fechados, e pasta com tranquilidade enquanto destrói a floresta. Esse contraste entre calma e devastação naturaliza o desastre.
A crítica nasce desse deslocamento. Um ato banal, o boi pastar, ganha dimensão catastrófica. O leitor reconhece o exagero e entende que a destruição é sistemática e tratada como normal.
Resposta: hipérbole (boi gigante, que mostra a escala do impacto) e metáfora (árvores como capim, que mostra a floresta virando pasto); a serenidade do boi reforça a crítica com ironia.
Assuntos: charge, figuras de linguagem, relação entre texto verbal e imagem.
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