Redação da 2ª fase da FUVEST 2024

1º dia · proposta e coletânea

Texto 1

A multitarefa não é uma capacidade para a qual só seria capaz o homem na sociedade trabalhista e de informação pós-moderna. Trata-se antes de um retrocesso. A multitarefa está amplamente disseminada entre os animais em estado selvagem. Trata-se de uma técnica de atenção, indispensável para sobreviver na vida selvagem. Um animal ocupado no exercício da mastigação de sua comida tem de ocupar-se ao mesmo tempo também com outras atividades. Deve cuidar para que, ao comer, ele próprio não acabe comido. Ao mesmo tempo tem de vigiar sua prole e manter o olho em seu(sua) parceiro(a). O animal não pode mergulhar contemplativamente no que tem diante de si, pois tem de elaborar ao mesmo tempo o que tem atrás de si. Não apenas a multitarefa, mas também atividades como jogos de computador geram uma atenção ampla, mas rasa, que se assemelha à atenção de um animal selvagem.

Byung-Chul Han, Sociedade do cansaço. Adaptado.

Texto 2

Educar para o ócio significa ensinar a escolher um filme, uma peça de teatro, um livro. Ensinar como pode estar bem sozinho, consigo mesmo, significa também se habituar às atividades domésticas e à produção autônoma de muitas coisas que até o momento comprávamos prontas. Ensinar o prazer do convívio, da introspecção, do jogo e da beleza. Inculcar a alegria. A pedagogia do ócio também tem sua própria ética, sua estética, sua dinâmica e suas técnicas. E tudo isso deve ser ensinado. O ócio requer uma escolha atenta dos lugares justos: para se repousar, para se distrair e para se divertir. Portanto, é preciso ensinar aos jovens não só como se virar nos meandros do trabalho, mas também pelos meandros dos vários possíveis lazeres. Significa educar para a solidão e para o convívio, para a solidariedade e o voluntariado. Significa ensinar como evitar a alienação que pode ser provocada pelo tempo livre, tão perigosa quanto a alienação derivada do trabalho. Há muito o que ensinar!

Domenico de Masi. O ócio criativo.

Texto 3

Analisar as diferenças entre a educação escolar indígena e a educação escolar convencional no Brasil foi o ponto de partida do trabalho feito pelos pesquisadores Aline Abbonizio, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e Elie Ghanem, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). “Dois fatos me impressionaram especialmente na comunidade em que pesquisei, além do grande valor atribuído à escola como fator de fortalecimento da língua e da cultura daquele povo, a acentuada integração entre as atividades escolares e as práticas comunitárias. Não há tempos rígidos, não há horários fixos nem se seguem disciplinas escolares. As atividades da escola obedecem a um ritmo sereno e envolvem tarefas de manutenção dos costumes, incluem tanto a roça quanto o artesanato ou a coleta de produtos da mata”, relata Ghanem.

https://www4.fe.usp.br/pesquisa-da-feusp-analisa-diferencas-entre-educacao-indigena-e-convencional.
Adaptado.

Texto 4

Pintura de uma mulher sentada diante de uma mesa, com as mãos próximas ao queixo, olhando para o lado. Sobre a mesa há livros, um deles aberto, e um pequeno vaso com flores. Ao fundo, há vegetação.

Momentos de ócio, 1901. Irving Ramsey Wiles.

Texto 5

Pintura de sete crianças de mãos dadas em uma roda, diante de casas coloridas em vermelho, azul e amarelo. À direita, há um poste e fios. A legenda abaixo da pintura diz: “Ciranda II, 2018. Ivan Cruz.”, com o título em itálico.

Texto 6

Pintura de um homem idoso sentado com uma criança junto a ele, ambos segurando um banjo. A criança toca as cordas enquanto o homem a orienta. O ambiente é um interior simples, com utensílios domésticos, recipientes no chão e uma mesa ao fundo.

The Banjo Lesson, 1893. Henry Ossawa Tanner.

Texto 7

Publicação do Instagram do perfil humanar_se. O título “COMO FOMOS ENSINADOS A MEDIR O SUCESSO” aparece acima de um gráfico circular dividido em duas metades, identificadas como “SALÁRIO” e “CARGO”. Abaixo, o título “UMA NOVA FORMA DE MEDIR” acompanha um gráfico circular dividido em seis setores, identificados como “SAÚDE MENTAL”, “TEMPO LIVRE”, “RENDA”, “IMPACTO”, “GOSTAR DO QUE FAZ” e “SAÚDE FÍSICA”. Na parte inferior aparecem os ícones de curtir, comentar, compartilhar e salvar, e o texto “74.006 curtidas”.

Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão.

Instruções:

A dissertação deve ser redigida de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.
Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível, e não ultrapasse a quantidade de linhas disponíveis na folha de redação.

Abordagem esperada pela banca

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