Questão 1 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2024

1º dia · Português

Considere o anúncio jornalístico e os comentários do X (antigo Twitter) para responder à questão.

Publicação do jornal Estadão na rede social X anunciando "Museu da Língua Portuguesa abre café em seu rooftop" com foto do local, acompanhada de três comentários de usuários reagindo criticamente ao uso do termo em inglês "rooftop".

a) O anúncio da abertura de um café no Museu da Língua Portuguesa causou muita agitação nas redes sociais. Considerando os comentários retirados do antigo Twitter, como se caracteriza a postura dos usuários em relação à reportagem e ao próprio idioma?

b) Os comentários apresentados revelam o registro informal da língua. Identifique dois exemplos de registros informais e explique de que maneira colaboram para a construção de sentido do texto.

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Resolução comentada

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a) Os usuários reagem com indignação e ironia ao uso do estrangeirismo "rooftop" na manchete sobre o Museu da Língua Portuguesa. Para eles, é contraditório que uma instituição dedicada ao idioma use um termo inglês, havendo equivalentes em português ("terraço", "laje", "cobertura").

A postura diante do idioma é purista e de defesa da língua nacional. Os comentários tratam o português como patrimônio a preservar e veem o anglicismo como ameaça ou desrespeito. O segundo comentário lembra que o português é a língua oficial do Brasil, e o terceiro acusa o museu de "anglicismo". Já a postura em relação à reportagem é crítica e de cobrança: pedem tradução ("Pode traduzir pra Língua Portuguesa, por favor?") e questionam a escolha lexical do veículo e do museu, sem comentar o conteúdo da notícia, o café em si.

Resposta: os usuários criticam, com ironia e indignação, o anglicismo "rooftop" e assumem uma postura purista, de defesa do português como língua oficial e patrimônio, cobrando coerência do museu e do jornal.

b) Exemplos de registro informal nos comentários:

  1. "pra" (em vez de "para"), no primeiro comentário: é a redução típica da fala. Dá tom de conversa cotidiana e espontânea, e a polidez de "por favor" soa irônica, como um pedido que na verdade é uma cobrança.
  2. "né?" (contração de "não é?"), no segundo comentário: é uma marca da oralidade. Cria cumplicidade e, ao mesmo tempo, um tom de desdém, como quem explica o óbvio e dá lição ao interlocutor.

Outros exemplos aceitáveis: "Meu" (interjeição de intimidade) e "tão falando" (redução de "estão"), no terceiro comentário. Eles reforçam o tom de indignação coloquial e de proximidade com o leitor.

Em conjunto, o registro informal aproxima a escrita da fala e confere espontaneidade e emoção aos comentários. É o contraste entre a linguagem coloquial e o tema, a defesa do idioma, que produz o efeito de ironia e de crítica.

Resposta: "pra" e "né?" (ou "Meu", "tão falando"), marcas de oralidade que aproximam o texto da conversa, dão tom irônico e espontâneo e reforçam a crítica ao anglicismo.

Assuntos: registro informal, estrangeirismo, variação linguística.

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