Questão G04 da 2ª fase da FUVEST 2020

2º dia · Geografia

A RENCA (Reserva Nacional do Cobre e Associados) é uma área de 46.450\text{ km}^2 criada em 1984 que comporta diversos tipos de jazidas minerais, onde a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) detém exclusividade na condução de trabalhos de pesquisa geológica, determinando a viabilidade quanto às atividades de extração. Há séculos, essa área é ocupada por povos originários que tiveram em suas terras a prospecção mineral. A demarcação das terras indígenas nessa área teve início somente a partir da década de 1990.

Mapa da área da RENCA na Amazônia com sobreposição de Terras Indígenas e Unidades de Conservação, acompanhado de legenda explicativa das siglas.

Disponível em https://www.socioambiental.org/. Adaptado.

a) Cite uma aplicação econômica de um dos minérios que podem ser encontrados na região.

b) Utilizando a legenda do mapa, destaque dois conflitos sociais passíveis de ocorrência na região.

c) Cite e explique dois tipos de impactos ambientais decorrentes da exploração minerária.

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Resolução comentada

a) A RENCA reúne, além do cobre, ouro, ferro, manganês, tântalo, entre outros minérios. O cobre, por exemplo, é excelente condutor de eletricidade e calor. Por isso é muito usado em fios e cabos elétricos, em motores, em equipamentos eletrônicos e em tubulações. O ouro, por sua vez, é usado em joalheria e em componentes eletrônicos, além de servir como reserva de valor financeiro. Escolhendo o cobre:

Uso do cobre na fabricação de fios, cabos e outros componentes de transmissão e uso de energia elétrica.

b) A legenda mostra que a RENCA se sobrepõe a Terras Indígenas (TI Waiãpi, TI Rio Paru d'Este) e a várias Unidades de Conservação: Floresta Estadual (FES), Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), Reserva Extrativista (RESEX) e Estação Ecológica (ESEC). Isso gera disputas entre interesses distintos pelo mesmo território.

  1. Mineradoras (e garimpeiros) × povos indígenas: a mineração em terras indígenas ameaça o modo de vida, a posse da terra, a saúde e a segurança dessas populações, por causa da invasão, da contaminação de rios e da violência.
  2. Mineradoras × populações tradicionais (extrativistas, ribeirinhos) das RESEX e RDS, que dependem da floresta e dos rios, ou × órgãos e defensores das áreas protegidas, pois a atividade minerária é restrita ou proibida em várias dessas categorias de conservação.

Conflitos entre empresas mineradoras/garimpeiros e povos indígenas, e entre mineradoras e populações tradicionais ou a conservação das unidades protegidas (RESEX, RDS, ESEC).

c) Dois impactos ambientais da mineração:

  1. Desmatamento e perda de biodiversidade: a abertura de minas, estradas e infraestrutura exige a retirada da floresta, o que destrói habitats, fragmenta ecossistemas, expõe e erode o solo e reduz a fauna e a flora.
  2. Contaminação e assoreamento da água e do solo: o garimpo e o beneficiamento liberam rejeitos, metais pesados (como o mercúrio, usado no ouro) e sedimentos nos rios. Isso turva e envenena a água, afeta a cadeia alimentar e os peixes e prejudica as populações que dependem desses rios.

Desmatamento com perda de biodiversidade; contaminação e assoreamento de rios e solos por rejeitos e metais pesados.

Assuntos: mineração na amazônia, conflitos territoriais, impactos ambientais.

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