Questão G05 da 2ª fase da FUVEST 2018
O mapa representa a Rodovia Interoceânica, conhecida no Brasil como BR-317. Na parte destacada no retângulo, está o trecho dessa estrada que vem sendo utilizado (de forma mais acentuada, de 2010 a 2015) como porta de entrada para o Brasil, de grupos de migrantes vindos da América Central.

a) Identifique o país de origem desse fluxo recente e explique, citando uma razão de natureza física e outra social, para a migração.
b) Explique por que a entrada no Brasil se dá por esse trecho específico da estrada mencionada, considerando, dentre outros elementos, algumas de suas características físicas.
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Resolução comentada
a) O fluxo recente de migrantes da América Central que entrou pelo Peru, rumo ao Brasil, veio sobretudo do Haiti. Esses migrantes seguiam por via aérea ou terrestre até o Peru e atravessavam a fronteira pela Interoceânica, chegando ao Acre (Assis Brasil, Brasileia).
Razão física: o Haiti fica numa área sujeita a terremotos e furacões. O terremoto de janeiro de 2010 destruiu Porto Príncipe e deixou milhares de mortos e desabrigados. Furacões e tempestades tropicais agravaram a situação nos anos seguintes.
Razão social: o país tem pobreza extrema, baixo IDH, desemprego, infraestrutura precária e instabilidade política. O Estado teve pouca capacidade de reconstrução, e isso levou à busca de trabalho e de melhores condições de vida no exterior. O Brasil parecia atraente na época, por causa do crescimento econômico e da demanda por mão de obra (Copa e Olimpíadas). Também pesava a presença brasileira na missão da ONU no Haiti (Minustah).
Origem: Haiti; razão física: terremoto de 2010 e furacões; razão social: pobreza, desemprego e instabilidade política.
b) O trecho destacado liga o litoral peruano à Amazônia ocidental. Ele é a única conexão rodoviária pavimentada entre o Pacífico e o Acre, e por isso permite chegar ao Brasil por terra. Os migrantes entram em Assis Brasil (AC), cidade-gêmea de Iñapari, no Peru.
A região de fronteira está coberta pela floresta equatorial e tem densa rede hidrográfica de rios, afluentes do Amazonas. Há poucas estradas e pouca população, o que torna a fiscalização muito difícil. A selva dificulta o controle, de modo que a rodovia é a rota mais viável de acesso. A fronteira é seca e porosa, com cidades-gêmeas que facilitam a travessia. Do Acre, os migrantes seguem para o Sudeste e o Sul.
O Peru também tinha exigências de entrada menos restritivas, o que facilitava o trânsito de migrantes até a fronteira.
A Interoceânica é a única via terrestre que liga o Pacífico ao Acre, numa fronteira de floresta e rios pouco povoada e pouco fiscalizada, com cidades-gêmeas (Iñapari–Assis Brasil).
Assuntos: migrações, amazônia e fronteiras, haiti.
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