Questão 12 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2018
A expansão da agropecuária capitalista, no Brasil, referenciada no modelo agroexportador, se consolida territorialmente no que denominamos de Polígono do Agro-hidronegócio, a contar com o Oeste de São Paulo, Leste do Mato Grosso do Sul, Noroeste do Paraná, Triângulo Mineiro e Sul-Sudoeste de Goiás. Está-se diante de 80% das plantações de cana-de-açúcar, também de concentração das plantas agroprocessadoras, de produção de álcool e de açúcar do país, bem como de 30% das terras com soja e locais onde se registram os maiores avanços em termos de área com plantações de eucaliptos (...).
Antonio Thomaz Júnior, O Agro-hidronegócio no centro das disputas territoriais e de classe no Brasil do século XXI, CAMPO-TERRITÓRIO: revista de geografia agrária, v.5, n.10, p.92, ago. 2010. Adaptado.
a) Indique duas características que definem o agro-hidronegócio no referido Polígono.
b) Apresente duas justificativas para a elevada concentração da produção de cana-de-açúcar brasileira nesta região.
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Resolução comentada
a) O texto trata do agro-hidronegócio, a agropecuária capitalista voltada à exportação, que depende de grandes volumes de água e de capital. Duas características que o definem no Polígono:
- Produção em larga escala para o mercado externo (agroexportação): monocultivos extensivos de cana, soja e eucalipto em grandes propriedades, com alta mecanização, uso intensivo de insumos químicos e biotecnologia, e foco em commodities.
- Integração com a agroindústria e controle por grandes grupos capitalistas: a produção se articula às usinas de açúcar e etanol e às plantas agroprocessadoras, em cadeias controladas por grandes empresas, muitas vezes de capital internacional. Isso concentra a terra, pressiona a água (irrigação, processamento) e gera conflitos territoriais com camponeses, indígenas e trabalhadores.
Resposta: produção de monoculturas em larga escala, mecanizada e voltada à exportação; e integração com a agroindústria, sob controle de grandes grupos capitalistas e com forte uso de água e capital.
b) A concentração da cana nessa região tem razões naturais e econômicas. Duas justificativas:
- Condições naturais favoráveis: relevo plano a suavemente ondulado, que permite a mecanização da colheita, e solos férteis, como a terra roxa, em clima tropical com estação chuvosa e outra seca, ideal para o crescimento e a maturação da cana.
- Infraestrutura e mercado: a região tem rede de rodovias, ferrovias e hidrovia (Tietê-Paraná), além de dutos, que facilitam o escoamento até os portos (Santos) e os centros consumidores. Também reúne usinas já instaladas, pois a cana precisa ser processada rapidamente após o corte, capital, tecnologia e pesquisa (universidades, institutos agronômicos) e proximidade do grande mercado consumidor paulista de açúcar e etanol.
Resposta: relevo plano, solos férteis e clima adequado; e infraestrutura de transporte, usinas, capital e tecnologia, com proximidade do mercado e dos portos.
Assuntos: agronegócio, geografia agrária do brasil, cana-de-açúcar.
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