Questão 10 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2017
Durante as obras relativas ao projeto urbanístico Porto Maravilha, na zona portuária do Rio de Janeiro, foram encontradas, na escavação da área, as lajes de pedra do antigo Cais do Valongo. Esse cais de pedra foi construído no local que era utilizado para o desembarque de africanos escravizados desde o século XVIII. Quase um quarto de todos os africanos escravizados nas Américas chegou pelo Rio de Janeiro, podendo esta cidade ser considerada o maior porto escravagista do mundo.
a) Considerando as atividades econômicas importantes do século XVIII que utilizavam predominantemente mão de obra escravizada, escreva, na legenda do mapa da página de respostas, duas dessas atividades e as localize no mapa utilizando os números I e II.
b) Indique dois motivos que explicam por que, no Brasil, durante o período colonial, a mão de obra escravizada dos indígenas foi substituída pela mão de obra escravizada dos africanos.
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Resolução comentada
a) No século XVIII, duas atividades importantes baseadas no trabalho escravizado eram a mineração (ouro e diamantes) e a lavoura açucareira. Há outras possíveis, como o algodão no Maranhão e a pecuária, mas estas são as mais seguras.
A mineração se concentrava no interior do Sudeste e Centro-Oeste: Minas Gerais (região de Vila Rica, Mariana, Sabará e Serro Frio/Diamantina), além de Goiás e Mato Grosso (Cuiabá).
A lavoura açucareira se concentrava no litoral do Nordeste, sobretudo na Zona da Mata de Pernambuco e no Recôncavo Baiano, com continuidade da atividade, embora em crise relativa frente ao Caribe.
Na legenda, escreva: I – mineração (ouro e diamantes); II – lavoura açucareira. Marque o número I na região de Minas Gerais (e Goiás/Mato Grosso) e o número II no litoral nordestino (Pernambuco/Bahia).
Legenda: I – mineração, em Minas Gerais (interior do Sudeste); II – lavoura açucareira, no litoral do Nordeste (Pernambuco e Bahia).
b) Dois motivos para a substituição do indígena pelo africano:
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Interesse econômico da metrópole e da elite colonial: o tráfico negreiro era um comércio muito lucrativo para comerciantes portugueses e para a Coroa, que cobrava impostos sobre ele. A escravização indígena, feita por colonos e bandeirantes, não rendia esses lucros ao Estado e aos traficantes.
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Resistência indígena e pressão da Igreja: os indígenas resistiam à escravização por guerras, fugas e doenças trazidas pelos europeus, que dizimavam as populações. Além disso, os jesuítas defendiam a proteção e a catequese dos indígenas, e a legislação da Coroa passou a restringir sua escravização. Já o africano era visto, pela mentalidade da época, como escravizável, e havia estrutura mercantil consolidada para o tráfico.
Os indígenas conheciam o território e podiam fugir com mais facilidade, enquanto o africano, transportado de longe, tinha mais dificuldade para escapar.
Motivos: (1) o lucro do tráfico negreiro para a Coroa e os comerciantes; (2) a resistência indígena, a queda demográfica e a oposição dos jesuítas à escravização dos indígenas.
Assuntos: escravidão colonial, economia colonial brasileira, tráfico negreiro.
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