Questão 4 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2016
Leia este texto.
Nosso andar é elegante e gracioso, e também extremamente eficiente do ponto de vista energético. Somos capazes de andar dezenas de quilômetros por quilo de feijão ingerido. Até agora, nenhum sapato, nenhuma técnica especial de balançar os braços, ou qualquer outro truque foram capazes de melhorar o número de quilômetros caminhados por quilo de feijão consumido. Mas, agora, depois de anos investigando o funcionamento de nossas pernas, um grupo de cientistas construiu uma traquitana simples, mas extremamente sofisticada, que é capaz de diminuir o consumo de energia de uma caminhada em até 10%.
Trata-se de um pequeno exoesqueleto que recobre nosso pé e fica preso logo abaixo do joelho. Ele mimetiza o funcionamento do tendão de Aquiles e dos músculos ligados ao tendão. Uma haste na altura do tornozelo, a qual se projeta para trás, segura uma ponta de uma mola. Outra haste, logo abaixo do joelho, segura uma espécie de embreagem (...).
Fernando Reinach, www.estadao.com.br, 13/06/2015. Adaptado.
a) Transcreva o trecho do texto em que o autor explora, com fins expressivos, o emprego de termos contraditórios, sublinhando-os.
b) Esse excerto provém de um artigo de divulgação científica. Aponte duas características da linguagem nele empregada que o diferenciam de um artigo científico especializado.
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Resolução comentada
a) O trecho em que há termos contraditórios é: "um grupo de cientistas construiu uma traquitana simples, mas extremamente sofisticada".
A contradição está entre "simples" e "extremamente sofisticada", ligados pela conjunção adversativa "mas". O autor usa esse contraste (a figura é a antítese, ou oxímoro, se se entender que os termos se opõem dentro de um mesmo objeto) para dar expressividade ao texto: o aparelho é simples na aparência e na construção, mas sofisticado pela precisão com que imita o funcionamento do tendão e dos músculos. O termo "traquitana", coloquial e pouco técnico, reforça o tom bem-humorado.
Transcrição, com os termos contraditórios sublinhados: "construiu uma traquitana simples, mas extremamente sofisticada".
"uma traquitana simples, mas extremamente sofisticada" (termos contraditórios: simples × extremamente sofisticada).
b) Um artigo de divulgação científica se dirige ao leitor leigo, e não a especialistas. Por isso a linguagem difere da de um artigo científico especializado em dois pontos principais:
- Vocabulário comum e coloquial, em vez de terminologia técnica. Aparecem palavras como "traquitana", "truque" e "quilo de feijão" (medida de energia expressa de modo cotidiano). O artigo especializado usaria termos técnicos precisos, como quilocalorias, metabolismo ou biomecânica.
- Tom subjetivo, expressivo e de proximidade com o leitor. Há adjetivação valorativa ("elegante e gracioso", "extremamente sofisticada"), uso da primeira pessoa do plural ("nosso andar", "somos capazes"), comparações do dia a dia e humor. O texto científico especializado tende à impessoalidade, à objetividade e à neutralidade, sem esse apelo ao leitor.
Vocabulário coloquial e acessível ao leigo ("traquitana", "quilo de feijão") e tom subjetivo, expressivo e envolvente, com adjetivação valorativa e 1ª pessoa do plural ("nosso andar"), em oposição à terminologia técnica e à impessoalidade do artigo especializado.
Assuntos: figuras de linguagem, antítese, divulgação científica.
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