Questão 15 (2º dia) da 2ª fase da FUVEST 2016

2º dia · Interdisciplinar

Leia a última estrofe do poema “Madrigal Lúgubre”, da obra Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade.

... Enquanto fugimos para outros mundos,
que esse está velho, velha princesa,
palácio em ruínas, ervas crescendo,
lagarta mole que escreves a história,
escreve sem pressa mais esta história:
o chão está verde de lagartas mortas ...
Adeus, princesa, até outra vida.

A imagem das lagartas mortas representa não só a morte de um ser, como também a morte de novas formas de vida que poderiam vir a ser, ou seja, aquelas em que as lagartas poderiam se transformar.

a) Com exceção de insetos, cite um animal que, durante seu desenvolvimento, apresente uma forma que possa substituir “lagartas” em sua função simbólica no poema.

b) Qual é o modo de ver a “história” representado pela imagem das “lagartas mortas”, no poema?

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Resolução comentada

a) A "lagarta" simboliza a larva que, pela metamorfose, se transformaria em outra forma de vida (a borboleta). Para substituí-la, precisamos de um animal não inseto com desenvolvimento indireto, isto é, com fase larval que sofre metamorfose.

O exemplo clássico são os anfíbios anuros (sapo, rã, perereca). O girino é uma larva aquática, com cauda e respiração branquial, que se transforma em adulto de vida terrestre, com pulmões e patas. Se os girinos morressem, morreriam também os futuros sapos, o que reproduz a ideia do poema: a morte da larva é a morte do que ela poderia vir a ser.

Outras respostas aceitáveis: larva de estrela-do-mar ou de ouriço-do-mar, larva de caranguejo (zoea), larva de ostra ou de outros moluscos.

Resposta: o girino (larva do sapo, da rã ou da perereca), que se transformaria no anfíbio adulto.

b) No poema, a "lagarta" é a figura que "escreve a história", mas o chão está "verde de lagartas mortas". Esse verde remete à vida e ao futuro, que aparecem interrompidos. A história é vista, portanto, como algo construído por seres frágeis ("lagarta mole") e feito de destruição: ela é uma sucessão de mortes e de possibilidades frustradas, com um futuro que não se realiza.

O contexto de Sentimento do mundo reforça essa leitura: um mundo "velho", "palácio em ruínas", em guerra, do qual se foge. A história, escrita "sem pressa" e sem remédio, é um registro pessimista e desencantado, em que a violência interrompe as transformações possíveis.

Resposta: uma visão pessimista da história, entendida como processo de destruição, em que as vidas e as possibilidades de transformação e futuro são interrompidas e ficam mortas.

Assuntos: metamorfose e desenvolvimento indireto, interpretação de poema de Drummond.

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