Questão H04 da 2ª fase da FUVEST 2014
A República não foi uma transformação pacífica. Bem ao contrário. Para além da surpresa provocada pelo golpe de Estado de 15 de novembro, seguiu-se uma década de conflitos e violências de toda ordem, na qual se sucederam as dissensões militares, os conflitos intraoligárquicos, os motins populares, a guerra civil, o atentado político contra a vida de um presidente da República. No interior dessas lutas se forjou a transformação do Estado Imperial em Estado Republicano, do Império Unitário em República Federativa, do parlamentarismo em presidencialismo, do bipartidarismo organizado nacionalmente em um sistema de partidos únicos estaduais. Forjou-se um novo pacto entre as elites e um novo papel para as forças armadas.
Wilma Peres Costa. A espada de Dâmocles. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 16.
a) Identifique e caracterize um episódio conflituoso próprio dos primeiros anos da República no Brasil.
b) Explique o “novo papel para as forças armadas” a que se refere o texto.
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Resolução comentada
a) O texto lista vários conflitos da década inicial da República. Uma boa escolha é a Revolta da Armada (1893-1894), mas também serviriam Canudos (1896-1897), a Revolução Federalista (1893-1895) ou a Revolta da Vacina (1904, já fora da década).
Na Revolta da Armada, setores da Marinha se rebelaram contra o governo do marechal Floriano Peixoto. Os motivos eram a recusa em aceitar a permanência de Floriano no poder, já que a Constituição previa novas eleições se a vaga ocorresse antes de dois anos de mandato, e a rivalidade entre a Marinha, de tradição aristocrática e monarquista, e o Exército, republicano e positivista. Os rebeldes bloquearam e bombardearam a baía de Guanabara e se uniram aos federalistas do Sul. Floriano reprimiu a revolta com apoio de republicanos civis (batalhões patrióticos) e de navios comprados no exterior. Por isso ficou conhecido como "Marechal de Ferro". O episódio mostra a disputa entre militares e a consolidação do regime republicano.
Resposta: a Revolta da Armada (1893-94), rebelião da Marinha contra Floriano Peixoto, esmagada por ele e símbolo das dissensões militares e do conflito em torno da consolidação da República.
b) No Império, as forças armadas tinham papel subordinado ao poder civil. O Exército, em particular, era pouco prestigiado e se sentia desvalorizado depois da Guerra do Paraguai. A Proclamação da República foi um golpe militar liderado por Deodoro da Fonseca, e os dois primeiros presidentes foram marechais (Deodoro e Floriano). Com isso os militares passaram a se ver como "tutores" da nação e guardiões da República, com legitimidade para intervir na política em nome da ordem e do progresso, sob influência do positivismo.
Depois de 1894, com a chegada dos civis ao poder (Prudente de Morais) e o pacto oligárquico da política dos governadores, o Exército foi enquadrado como instituição de defesa da ordem e de apoio às elites. Passou a ser acionado para reprimir revoltas internas, como Canudos, e se manteve como árbitro potencial das crises políticas.
Resposta: de força subordinada ao poder civil no Império, as forças armadas passaram a atuar como protagonistas e árbitros da vida política, guardiãs da República e garantes da ordem e do pacto entre as elites.
Assuntos: primeira república, revolta da armada, papel dos militares.
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